
Nas escolas de ensino médio integral da rede estadual, os estudantes têm a chance de ter um aprendizado diferenciado: não só por causa da jornada de ensino ampliada, cursos profissionalizantes e disciplinas eletivas que enriquecem o currículo do aluno, mas pela difusão do conhecimento que o jovem levará para toda a sua vida. Uma das práticas mais decorrentes neste sentido tem sido a adoção de práticas sustentáveis que incluem, dentre outras ações, implantação de hortas, ampliação de áreas verdes e reaproveitamento/reciclagem de produtos.
Na Escola Estadual Maria Ivone, em Maceió, alunos produzem sabão ecológico a partir de óleo de cozinha usado e sachê à base de sagu, atividades inclusas na disciplina eletiva de Educação Ambiental e no projeto integrador de horta e sustentabilidade. Já na Escola Estadual Francisco Leão, em Rio Largo, há quase um ano, projeto em parceria com o Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Alagoas (Ceca-Ufal) promove o cultivo de diversos itens em hortas verticais em garrafas pet.
Essas ações contam com o apoio da Secretaria de Estado da Educação (Seduc) e de órgãos como a Secretaria do Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) e o Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA). Segundo a gerente de Educação Diversidades e Modalidades da Seduc, Fátima Rebelo, as atividades são consequência de diversas formações e oficinas empreendidas com professores e alunos.
“A Seduc dá todo apoio à adoção de práticas sustentáveis nas escolas por entendermos que elas mudam o comportamento dos jovens em relação ao meio ambiente, sensibilizando-os a serem multiplicadores destas informações junto a seus familiares, amigos e vizinhos”, ressalta Fátima.
Horta e adubo – Desde setembro de 2016, alunos da Escola Estadual Francisco Leão participam do cultivo de hortas tradicionais e verticais. Com o apoio dos alunos e professores do curso de Agronomia da Ufal, os estudantes da rede estadual aprenderam a plantar, cultivar e cuidar da terra. E as práticas passaram a ser adotadas não só na escola, como explica Eugênio Bulhões, graduando da Ufal.
“O projeto trabalha a educação ambiental e permite um contato maior com a terra. Já colhemos tomate, pimenta, pimentão, três variedades de alface, cebolinha e couve. Alguns alunos já nos relatam que fizeram hortas verticais em suas casas”, diz Eugênio.
A diretora-geral Lindinalva Rego conta que a horta proporcionou não somente a adoção de hábitos alimentares mais saudáveis, mas fez com que os estudantes aprendessem a reaproveitar. “Todos os itens cultivados são utilizados na nossa merenda e os restos da cozinha são convertidos em adubo para horta por meio do método de compostagem. Aqui na escola, este projeto é coordenado pela professora de Química Rosemary”, informa a gestora.
Aluna da 1ª série do ensino integral, Teresa Rúbia da Silva, é uma das mais empenhadas no cultivo da horta. “Gosto muito deste projeto, pois estamos aprendendo mais e cuidando da natureza, valorizando o que é nosso. É incrível colher e se alimentar de algo que você cultivou com tanto carinho”, fala a jovem.
Reaproveitamento – Na Escola Estadual Maria Ivone, no Conjunto Inocoop, em Maceió, reaproveitar é a palavra de ordem. Na disciplina eletiva de Educação Ambiental, os alunos aprendem, dentre outras coisas, a fabricar sachê artesanal à base de sagu e sabão ecológico à base de óleo de cozinha usado. A unidade conta ainda com um grande projeto integrador de horta e sustentabilidade, ação que conta com o apoio do IMA e do Lions Clube.
“Temos mobilizado os alunos sobre a importância da reciclagem e da reutilização de produtos. Inclusive, também recolhemos óleo de cozinha junto à comunidade que, a partir de uma determinada quantia, recebe como retorno o sabão que nós produzimos a partir desse óleo”, explica a diretora-geral Juliana Menezes. “E ainda temos planos para ações de reciclagem com pneus usados. Quem quiser fazer doações destes itens, pode procurar a escola”, complementa.
Márcia Motta, professora da disciplina eletiva de Educação Ambiental, informa que, por meio da parceria com o IMA e Lions Clube, a escola planeja fazer o plantio de espécies nativas da Mata Atlântica. “Também queremos plantar espécies medicinais, legumes e hortaliças em nossa horta”, avisa.
Sávio Kevin Félix é aluno de Márcia na disciplina de Educação Ambiental e diz que a eletiva transformou sua vida. “Antes eu desperdiçava muito, mas, hoje, mudei minhas atitudes porque sei que elas degradavam o meio ambiente. Agora, conscientizo as pessoas a não fazer o que eu fazia e chego a pedir a meus vizinhos e amigos que me entreguem o seu óleo de cozinha usado para que eu dê a ele o fim adequado”, recorda o adolescente, aluno da 1ª série do ensino integral.
Assom – 07/08/2017





