Escândalo no Iprev: Câmara de Maceió estuda Comissão de Inquérito para investigar R$ 170 milhões em aplicações no Banco Master após buscas da PF

O recente escândalo envolvendo o Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió, em relação aos investimentos feitos no Banco Master, ganhou novos contornos nesta segunda-feira, dia 10. O vereador Tácio Melo, do MDB, protocolou na Câmara Municipal um requerimento para a criação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) que visa investigar detalhadamente as aplicações financeiras realizadas pelo Iprev.

Essa ação surgiu poucas horas após a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União realizarem mandados de busca e apreensão no Iprev e em endereços de gestores envolvidos, no âmbito de uma investigação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal. A CEI, se instalada, terá a tarefa de investigar não apenas as circunstâncias e os critérios das aplicações financeiras, mas também a atuação do Comitê de Investimentos e a possível responsabilidade de qualquer agente.

Entretanto, a proposta de Tácio Melo gera a necessidade de um olhar cauteloso sobre os números apresentados. O vereador menciona que aproximadamente R$ 170 milhões foram investidos pelo Iprev nos anos de 2023 e 2024. É importante ressaltar que esse montante não está diretamente relacionado aos R$ 97 milhões que a Polícia Federal está atualmente investigando, valores que se referem a duas aplicações em Letras Financeiras do Banco Master.

A discrepância entre esses números aponta para a urgência de uma clara explicação por parte do parlamentar, a fim de determinar quais investimentos estão sendo considerados e se todos estão ligados ao Banco Master. Além disso, a vereadora Teca Nelma, do PT, também se posicionou, cobrando elucidativas da Prefeitura de Maceió a respeito dos investimentos. Ela trouxe à tona a cifra de R$ 117 milhões investidos no Banco Master, que, assim como os outros valores, requer esclarecimento.

As ações da Polícia Federal, que incluem o cumprimento de oito mandados de busca e apreensão em Alagoas e São Paulo, se concentram na análise de possíveis falhas nos mecanismos de governança e na gestão dos recursos previdenciários. A consulta à consultoria Crédito & Mercado também está no escopo das investigações, que alegam a participação dessa empresa nos procedimentos de credenciamento e análises de risco, embora a consultoria negue ter influenciado nas decisões do Iprev.

A situação política se complica ainda mais, uma vez que o senador Renan Calheiros havia solicitado anteriormente medidas de bloqueio de bens de envolvidos nas operações do Iprev, o que foi negado na Justiça estadual, mas que agora recebe nova atenção sob a supervisão da investigação federal.

Caso a CEI seja aprovada, a Câmara Municipal poderá exercitar um papel ativo na investigação de ações administrativas do Iprev. A administração da Prefeitura de Maceió, que se posiciona como colaborativa, vê seu papel sob crescente pressão, já que a veracidade das alegações sobre a lisura dos procedimentos está em jogo. Assim, a situação atual é complexa, envolvendo uma investigação criminal, a supervisão do Judiciário e agora, uma possível investigação político-administrativa em âmbito municipal, num cenário onde a transparência e a responsabilidade são fundamentais.

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