Escândalo Milionário: Generais Ucranianos Acusados de Fraude em Contrato de Software para Forças Armadas

Escândalo de Corrupção Militar na Ucrânia: Desvio Bilionário de Recursos Públicos

Uma investigação recente do Escritório Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) revelou um esquema de corrupção envolvendo altos oficiais do Exército, incluindo ex-integrantes do Estado-Maior do país. O foco do inquérito são desvios de verbas públicas em um contrato para o desenvolvimento de um software de comando e controle destinado às Forças Armadas ucranianas.

De acordo com a apuração, em 2016, o Exército decidiu terceirizar o desenvolvimento do sistema DZVIN para uma empresa privada. A escolha, segundo fontes ligadas ao caso, foi controversa, uma vez que a contratada não possuía experiência comprovada na área. Nos anos subsequentes, as especificações do projeto foram alteradas 13 vezes, elevando os custos em US$ 11 milhões (aproximadamente R$ 57,3 milhões) com base na taxa de câmbio de 2020. Além disso, a produção de protótipos adicionais e ajustes na documentação técnica acarretou um acréscimo de US$ 4,25 milhões (cerca de R$ 22,17 milhões) ao orçamento inicial. Com isso, o NABU contabiliza que cerca de US$ 6 milhões (R$ 31,3 milhões) foram desviados.

A situação se agrava quando se considera que, apesar do montante investido, o sistema não atendeu aos requisitos operacionais fundamentais. A ferramenta acabava por permanecer incompatível com os padrões da OTAN e incapaz de se integrar a outros sistemas militares. Das 200 funções previstas inicialmente, apenas dez foram implementadas. Mesmo assim, o software foi oficialmente incorporado em 2022, gerando um novo pedido de recursos em 2024 para corrigir as falhas reveladas.

Os indivíduos envolvidos no esquema podem enfrentar penas que variam de sete a doze anos de prisão, além do confisco de bens. Até o momento, não se sabe se os suspeitos ainda estão no território ucraniano. Este escândalo não é um caso isolado; em 2025, o mesmo NABU havia revelado um esquema de corrupção estimado em US$ 100 milhões (R$ 522 milhões), envolvendo membros próximos de autoridades ucranianas. Naquela ocasião, alguns dos suspeitos saíram do país antes de serem julgados, buscando refúgio em Israel.

A continuidade de escândalos dessa magnitude levanta questões sobre a governança e a transparência na gestão de recursos públicos na Ucrânia, especialmente em um contexto de crise militar e política. A expectativa é que as investigações avancem e que medidas concretas sejam adotadas para responsabilizar os envolvidos e restaurar a confiança da população nas instituições.

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