No cerne dessa nova abordagem está a capacidade do Irã de operar tactics de dissuasão, abrangendo ações que vão além das fronteiras nacionais. O país tem potencializado a instabilidade nas rotas marítimas, bloqueando o Estreito de Ormuz, uma via crucial para o comércio global de petróleo, usando minas e drones, desafiando diretamente os sistemas de defesa israelenses.
Segundo Najad Khouri, pesquisador do Oriente Médio, essa resposta do Irã deve-se a uma longa trajetória de preparação militar desde a guerra com o Iraque nos anos 1980. Apesar das sanções que limitaram o acesso a armamentos modernos, o país investiu pesadamente no desenvolvimento de suas capacidades tecnológicas, principalmente em mísseis balísticos e drones. Isso culminou em um modelo de guerra assimétrica que torna os ataques mais difíceis de conter.
A estratégia militar dos EUA e de Israel, que pretendia desestabilizar o Irã por meio da eliminação de suas lideranças, não obteve os resultados desejados. As ofensivas iranianas contra bases militares e nações árabes com presença americana apenas ampliaram a complexidade da situação e resultaram em uma escalada global dos custos da guerra, atingindo níveis inesperados para os aliados ocidentais.
Com a dinâmica do conflito se tornando cada vez mais internacional, mediadores como Paquistão e China buscam intervir na resolução da crise, ao passo que Israel mantém liberdade de ação em suas ofensivas. A análise das tensões revela que, se os EUA não conseguirem reabrir o Estreito de Ormuz, podem enfrentar uma percepção pública negativa, uma “derrota”, mesmo que minimizar os danos seja uma prioridade.
Em suma, a complexidade do cenário atual exige uma atenção redobrada, pois a resistência do Irã e os interesses mútuos com os Estados Unidos se tornam chave para a resolução das tensões. Os desafios estruturais que impedem um diálogo significativo entre as partes tornam as perspectivas de um cessar-fogo verdadeiramente eficaz incertas. Ambos os lados enfrentam pressões internas e externas, em um momento em que os custos da guerra se revelam insustentáveis para a economia global. Assim, a possibilidade de um conflito prolongado continua a ser uma preocupação crescente, com potencial de trazer ainda mais instabilidade à região e ao mundo.





