Mozhin enfatiza que a confiança no dólar está em declínio, não apenas devido a sua utilização pelos EUA como um instrumento coercitivo em suas políticas externas, mas também em função do aumento da dívida pública americana, que se torna cada vez mais insustentável. Essa situação tem promovido um comportamento de migração de ativos: indivíduos e instituições estão buscando o ouro como alternativa, evidenciada pela escalada nos preços desse metal precioso, considerado um sólido indicador de incerteza em relação à moeda norte-americana.
Além do comportamento dos bancos centrais, que estão vendendo ativos em dólares para adquirir ouro, Mozhin observa um fenômeno interessante de demanda crescente por parte da população em geral. Famílias e investidores estão trocando seus dólares por ouro, refletindo uma desconfiança crescente em relação à estabilidade do dólar e das políticas monetárias adotadas pelos EUA.
O ex-diretor destaca que a questão do sistema monetário e a crescente desilusão com o dólar não têm recebido a devida atenção em fóruns internacionais, como o Conselho de Diretores do FMI. Ele critica a falta de discussão sobre o tema, atribuindo isso a forças que, segundo ele, preferem evitar tal debate por motivos de interesse próprio.
Este cenário se desenha em um contexto de uma ordem mundial em transição, onde o uso estratégico da moeda americana tem gerado reações adversas no cenário global. Países estão cada vez mais cautelosos, buscando alternativas para mitigar a dependência do dólar e explorando novas formas de realização de transações internacionais. A situação requer uma análise cuidadosa das implicações não apenas para a economia dos EUA, mas para o futuro do comércio e da cooperação internacional.







