Erdogan tem convocado atenção internacional ao solicitar que os Estados Unidos reconheçam o papel estratégico da Turquia na estabilização da Síria e na luta contra a ressurreição do grupo terrorista Daesh. O presidente turco propõe o apoio de sua administração para Ahmed Al-Sharaa e está ativamente buscando financiamento de países do Golfo Pérsico para auxiliar na reconstrução das áreas devastadas pelo conflito.
Contudo, a relação entre a Turquia e os Estados Unidos é complexa. Enquanto os EUA têm apoiado as forças curdas na Síria, consideradas essenciais para evitar que extremistas aproveitem-se do vácuo de poder deixado pela guerra, Erdogan vê essas mesmas forças como grupos terroristas. A intenção da Turquia é neutralizar essa ameaça, e um encontro de delegação turca em Washington está agendado para discutir a situação dos militantes curdos, que representa um ponto de discórdia significativo nas relações entre os dois países.
Com a mudança na administração americana, Erdogan espera que as novas conversas sejam mais frutíferas, dada a postura ambígua de Trump, que frequentemente oscilou entre elogiar e criticar o presidente turco. O líder turco está claro sobre as suas necessidades: gostaria que os Estados Unidos reconsiderassem seu suporte aos curdos, o que pode abrir novas portas para um entendimento mais amigável entre Ancara e Washington.
Além da questão da segurança, Erdogan também está pronto para explorar mercados e rotas econômicas. Ele planeja usar a Síria como um corredor estratégico para exportação para o Golfo Pérsico, almejando contornar as rotas mais caras e perigosas. Com a expectativa de que décadas de infraestruturas e serviços necessitarão de restauração, a Turquia se posiciona como um ator central nos esforços de recuperação.
Agora, Erdogan se coloca como um possível mediador e agente de estabilização na região, aproveitando a incerteza que rodeia o futuro da Síria, alicerçando assim a sua influência histórica e econômica no Oriente Médio.






