A solicitação feita ao Grupo de Trabalho sobre Empresas e Direitos Humanos da ONU tem o objetivo de investigar a responsabilidade da siderúrgica Ternium no desaparecimento dos ativistas. A empresa opera atividades de mineração na região de Aquila, uma pequena cidade mexicana no estado de Michoacán.
Os desaparecimentos de Gasca e Valencia ocorreram em meados de janeiro de 2023, logo após uma assembleia com a comunidade local para discutir conflitos relacionados à exploração mineral e à falta de pagamento de compensações por parte da Ternium.
Recentemente, o envolvimento dos cartéis de narcotraficantes com a mineração no México foi tema de uma extensa reportagem do OCCRP (Organized Crime and Corruption Reporting Project), que destacou casos de sequestros, assassinatos e desaparecimentos de pessoas que desafiaram as operações da Ternium.
Além disso, a empresa do Grupo Techint-Ternium também enfrenta denúncias na Argentina, envolvendo corrupção, violações de direitos humanos, questões ambientais e trabalhistas. Documentos com mais de 60 páginas ressaltam a influência significativa do grupo sobre o estado argentino para enfraquecer regulações e consolidar seu poder de mercado, afetando políticas públicas e o equilíbrio entre interesses privados e o bem público.
As acusações também se estendem para questões ambientais em diversos países, incluindo poluição, conflitos hídricos e emissão de CO₂. Há relatos de possíveis cumplicidades em violações durante a ditadura argentina, ameaças a defensores de direitos humanos no México e práticas controversas durante a pandemia de Covid-19, como demissões e suspensão de salários.
O Grupo Techint-Ternium também é mencionado em casos como a Causa Olmos, o escândalo dos Cuadernos e o uso de estruturas offshore para evasão fiscal. A empresa enfrenta sérias acusações em relação a suas práticas em vários países, sendo alvo de investigações e denúncias por violações de direitos humanos e questões ambientais.
