Empresários da J&F são absolvidos de acusação de insider trading pela CVM em caso envolvendo a JBS

Os empresários Joesley e Wesley Batista, donos da J&F — holding responsável por empresas como JBS e Eldorado Brasil —, foram absolvidos pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), nesta terça-feira, da acusação de insider trading. A prática consiste no uso de informações privilegiadas para operações no mercado financeiro. A decisão veio após a maioria dos conselheiros já ter formado opinião favorável à absolvição dos irmãos, que foi interrompida por um pedido de vistas.

As três acusações de insider trading que tramitavam na CVM foram todas absolvidas. Uma delas teve decisão unânime, enquanto as outras duas foram por quatro votos a um. Vale lembrar que, em agosto, a CVM já havia aceitado um acordo de R$ 12,7 milhões para encerrar um dos processos referentes às investigações sobre as práticas do frigorífico no mercado de câmbio.

A J&F Investimentos divulgou uma nota afirmando que a decisão “desfaz uma injustiça, atesta o pleno funcionamento das instituições no Brasil e reafirma a integridade das operações dos executivos e empresas do grupo J&F no mercado financeiro”.

O caso envolve acusações de crimes contra o mercado de capitais relacionados às negociações de ações da JBS em 2017. A J&F também estava sujeita a uma possível multa de R$ 500 mil por ter comandado essa operação.

A repercussão das operações da JBS em 2017 foi significativa para o país. Após o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, revelar gravações que apontavam um esquema de pagamento de propinas envolvendo o então presidente Michel Temer, o mercado financeiro sofreu uma crise. No dia seguinte à divulgação, o Ibovespa, principal índice da Bolsa, caiu 10% e as ações da JBS despencaram 9,68%, causando uma alta na cotação do dólar.

No processo administrativo da CVM, estava sendo investigado se os irmãos Batista e a J&F utilizaram informações privilegiadas para realizar a recompra de ações da JBS antes do acordo de delação premiada. As acusações se baseavam no fato de que a primeira reunião dos empresários com a PGR (Procuradoria-Geral da República) ocorreu pouco tempo depois de uma decisão do conselho da JBS e antes da transferência das ações para venda.

Os advogados de defesa dos empresários sustentaram que não foi possível prever que a colaboração com a PGR teria impacto nos índices econômicos e no preço das ações da JBS. Também enfatizaram que não houve uso de informação privilegiada ou manipulação de preço durante a recompra das ações.

O caso da JBS também foi envolvido na operação Carne Fraca, deflagrada em março de 2017 pela Polícia Federal. A operação tinha como objetivo desmontar um esquema de irregularidades envolvendo grandes frigoríficos do país.

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