Empresário Rodrigo Oliveira é alvo na Operação Narco Fluxo: ligação com contratos públicos e a indústria do funk levanta suspeitas
O empresário Rodrigo Inácio de Lima Oliveira, conhecido por ser o proprietário da GR6 Eventos e agente do MC Ryan, se encontra sob investigação na Operação Narco Fluxo, que desmantelou uma organização criminosa suspeita de movimentar cerca de R$ 1,6 bilhão. A operação, realizada pela Polícia Federal, afirma que o grupo teria utilizado o setor musical e o ambiente digital para lavar dinheiro oriundo de atividades ilícitas, como tráfico de drogas e jogos ilegais.
Um levantamento recente revelou que a Fundação do Funk, que representa MC Ryan e possui estreitas ligações com a GR6, recebeu aproximadamente R$ 2,3 milhões em contratos com diversas prefeituras desde 2024. Tais contratos visam a realização de shows, e a documentação corroboraria a conexão entre as duas entidades: a Fundação utiliza um e-mail que apresenta o domínio da GR6 em sua comunicação oficial.
A presença de Rodrigo nas redes sociais é notável, especialmente em postagens realizadas por um dos sócios da Fundação, que frequentemente o menciona, até mesmo se referindo a ele como “nosso presidente”. Essa proximidade evidencia uma relação que vai além dos registros formais.
Enquanto a investigação continua, a Polícia Federal segue apurando se as transações que ligam o empresário à Fundação são legítimas ou se estão encobrindo práticas ilícitas. Embora os contratos com prefeituras tenham sido questionados, até o presente momento, não foram identificadas irregularidades nesse aspecto. No entanto, a mistura de receitas lícitas com valores provenientes de atividades ilícitas é uma tática comum utilizada por organizações desse tipo, dificultando o rastreamento financeiro.
Dentre os contratos vinculados à investigação, MC Ryan se destaca: ele recebeu R$ 225 mil por apresentações em eventos de prefeituras da capital paulista, além de estar entre os nomes citados nas apurações.
A defesa de Rodrigo Oliveira emitiu uma nota em que afirma que todas as transações sob investigação são legais e integram as atividades normais de sua empresa, a qual é descrita como a maior produtora de música urbana da América Latina. O empresário e a GR6 reiteram seu compromisso com a ética e a transparência, colocando-se à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos necessários.
Tentativas de contato com a Fundação do Funk para esclarecer o papel de Rodrigo e sua relação com a GR6 não obtiveram resposta até o fechamento desta reportagem. O andamento do caso e as implicações sobre a indústria do funk aguardam desdobramentos mais concretos à luz das investigações.
