De acordo com a petição, a tese inicial da investigação, que sugeria que os pagamentos recebidos por Roberta tinham Lulinha como destinatário final, já foi descartada pela própria Polícia Federal. A defesa sustenta que prosseguir com as investigações seria uma tentativa de ampliar o escopo do inquérito, o que poderia ter repercussões políticas negativas, especialmente em um período eleitoral.
A advogada de Roberta enfatiza que a única razão pela qual ela se tornou alvo desse inquérito foi sua relação de amizade com o filho do presidente. Para ela, a investigação está criminalizando uma amizade pessoal e pública sem apresentar evidências concretas que liguem Roberta a um suposto esquema criminoso.
No centro da investigação estão supostos pagamentos que Roberta teria recebido do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos principais operadores de fraudes em descontos associativos. A defesa destaca que os valores em questão decorrem de serviços de consultoria relacionados à regulamentação do mercado de canabidiol no Brasil, com todos os pagamentos devidamente formalizados por contrato e notas fiscais.
Os advogados acrescentam que os depoimentos já colhidos durante a investigação corroboram a existência real dos serviços prestados, além de não haver qualquer prova que vincule financeiramente Roberta e Lulinha. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e extratos bancários apresentados como evidência pela defesa não mostram nenhuma transferência entre os dois.
Um dos principais pontos levantados na petição é que a investigação ultrapassou seu objeto original, buscando novos fatos sem uma base concreta. A defesa critica a atuação da Polícia Federal, que, segundo eles, tem explorado a vida privada de Roberta, suas amizades e relações pessoais, configurando uma “fishing expedition”, termo jurídico que descreve investigações que buscam qualquer evidência incriminadora.
Os advogados também fazem uma advertência de que a continuidade da investigação pode levar a vazamentos seletivos e ser utilizada politicamente durante a campanha eleitoral. Embora Lulinha não esteja formalmente sob investigação, o caso implica diretamente o filho de um dos principais candidatos à presidência, o que, segundo a defesa, requer uma trilha de cautela maior na condução deste processo.
