Apesar das alegações graves e da investigação em andamento, o governo do estado do Pará declarou que não encontrou impedimentos legais para a participação da empresa no certame. Além disso, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que financia mais de R$ 1 bilhão em obras de macrodrenagem e saneamento na área, reiterou que há mecanismos de fiscalização estabelecidos para acompanhar a execução dos contratos.
Os contratos em questão incluem um projeto de macrodrenagem no canal Caraparu, avaliado em R$ 123,8 milhões, e um projeto de saneamento na bacia Tamandaré, que custa R$ 55,2 milhões. A relevância dessas obras é significativa, visto que mais de 80% da população de Belém ainda não possui acesso a serviços de esgoto e aproximadamente 57% dos moradores habitam em áreas de favela.
Recentemente, a Justiça Federal também bloqueou bens e valores do grupo denunciado pelo MPF, com um montante que pode alcançar R$ 137,8 milhões. Assim, se a participação da Bemaven e de Nunes for confirmada como irregulares, o BNDES se comprometeu a tomar as devidas medidas legais.
Além disso, outro contrato obtido por este consórcio envolve a dragagem e limpeza do canal São Joaquim, também em Belém, com um valor de R$ 108 milhões. Essa obra seria independente do escopo da COP30, e a empresa já enfrentava dificuldades financeiras, estando em recuperação judicial desde 2013, o que levanta ainda mais preocupações sobre a idoneidade desse consórcio em relação à gestão de recursos públicos.
As obras visam não apenas a melhoria das condições de saneamento em áreas vulneráveis, mas também a preparação da cidade para o impacto internacional da COP30, mas agora há uma sombra de incerteza sobre a integridade desse processo e os interesses envolvidos. A situação continua a ser monitorada de perto por órgãos de controle, mas, até o momento, não houve apontamentos adversos que invalidem a contratação da empresa contestada.





