Durante o mês de maio, o país contabilizou 2.207.303 admissões contra 2.134.343 demissões, resultando no menor saldo de empregos do ano. Esses números indicam uma desaceleração no crescimento do emprego, marcada por um desempenho fraco desde abril, quando foram abertas cerca de 79 mil vagas. Para efeito de comparação, março alcançou quase 229 mil novas oportunidades, delineando uma queda acentuada nos meses subsequentes.
Analisando os setores envolvidos, o segmento de serviços liderou as contratações, com um acréscimo de 45.655 vagas. A construção civil também se destacou, adicionando 12.096 postos, enquanto a indústria e a agropecuária contribuíram com 4.974 e 10.205 novas vagas, respectivamente. Em contraposição, o comércio registrou o pior desempenho, com apenas 40 admissões.
O resultado de maio representa uma queda drástica em comparação ao mesmo período do ano anterior, que viu a criação de 153 mil novas vagas. No acumulado entre janeiro e maio deste ano, o saldo foi de 762.326 postos, refletindo um crescimento de 1,6%, mas ainda assim o menor número desde 2020, quando o saldo foi negativo em 1,3 milhão de vagas.
Além disso, o salário médio real na contratação também passou por uma redução, registrando uma diminuição de R$ 17,97, para R$ 2.384,10, o que representa uma variação negativa de aproximadamente 0,75% em relação ao mês anterior.
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, associado à apresentação destes dados, atribuiu parte desse desempenho fraco à política monetária implementada pelo Banco Central, que se caracteriza por taxas de juros elevadas. Ele mencionou também o impacto do conflito no Oriente Médio, que pode ter afetado negativamente diversos setores da economia nacional.
Apesar dessa análise negativa, a taxa de desemprego no Brasil permanece em um patamar historicamente baixo, fechando o trimestre até maio em 5,6%. Especialistas apontam para a possibilidade de que o mercado de trabalho esteja se aproximando de uma situação de pleno emprego, caracterizada pela escassez de mão de obra para as vagas disponíveis.
A taxa de subutilização da força de trabalho, que inclui não apenas os desempregados, mas também aqueles que desejam trabalhar mais horas ou desistiram de procurar emprego, caiu para 13,3%, o menor nível desde que a série começou, em 2012. Para especialistas como João Mário de França, do FGV Ibre, isso sugere que a economia brasileira pode estar funcionando acima de sua capacidade potencial, com uma crescente disputa por mão de obra e aumento da massa salarial.
