O ministro da Indústria dos EAU, Sultan Al Jaber, enfatizou que a navegação na região está sujeita a condições impostas, o que, segundo ele, configura uma limitação à liberdade de passagem. “O Estreito de Ormuz não está aberto. O acesso está sendo restringido e controlado. Uma passagem condicionada não é um livre acesso. É controle disfarçado”, lamentou.
A situação se torna ainda mais crítica com a revelação de que 230 petroleiros estão prontos para zarpar. Al Jaber alertou que cada dia de restrições intensifica as consequências, levando a atrasos no fornecimento, pressão nos mercados e aumento nos preços do petróleo. O cenário atual é um reflexo das tensões geopolíticas, especialmente com o Irã, que anunciou um acordo de cessar-fogo com os Estados Unidos, no qual a passagem pelo estreito estaria sujeita à “coordenação” iraniana.
Em recente comunicado, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, afirmou que a navegação segura está condicionada à coordenação com as Forças Armadas iranianas, considerando ainda limitações técnicas. Em um gesto que destaca a cautela da Guarda Revolucionária do Irã, um mapa foi divulgado, mostrando rotas alternativas devido à presença de minas na região.
Dados sobre a navegação no estreito indicam que apenas um navio-tanque e cinco graneleiros conseguiram realizar a travessia nas últimas 24 horas, revelando uma drástica diminuição na atividade marítima. Uma fonte iraniana revelou que, durante o período do cessar-fogo, apenas 15 embarcações diárias poderão transitar pelo Estreito, sempre com a aprovação de Teerã e seguindo um protocolo estabelecido.
A pressão internacional para que o Irã garanta a plena abertura do Estreito e abolir taxas de passagem pelo seu litoral tem aumentado. O governo iraniano defende que a situação do Estreito não retornará aos padrões anteriores devido às ações agressivas que o país enfrentou, notadamente por parte dos Estados Unidos e Israel.
A frágil situação geopolítica é ainda mais complicada por recentes bombardeios de Israel ao Líbano, que ameaçam o próprio cessar-fogo. Representantes de Teerã e Washington se reunirão nesta sexta-feira (10) em Islamabad, no Paquistão, para discutir os rumos do conflito em uma tentativa de estabilizar a situação.






