Embraer firma parcerias estratégicas enquanto Brasil enfrenta desafios na aviação global, analisam especialistas sobre futuro da indústria aeroespacial brasileira.

Nos últimos dias, a Embraer tem demonstrado um impulso significativo em sua atuação global, especialmente com um acordo recém-assinado com o grupo indiano Adani. Este contrato prevê a fabricação de aeronaves e o treinamento de pilotos, além de fortalecer a cadeia de suprimentos aeronáuticos, culminando na criação de uma unidade de produção na Índia. Porém, as movimentações da Embraer não param por aí. Recentemente, a empresa anunciou a venda do KC-390 Millennium para o Uzbequistão e a aquisição de seis novos A-29 Super Tucano pelas Filipinas, dobrando assim a frota local desse modelo.

Essas iniciativas colocam a Embraer em evidência não apenas no setor militar, mas também na aviação comercial e executiva. O desempenho financeiro da empresa indica um crescimento robusto; seu faturamento anual, que era de aproximadamente US$ 4,5 bilhões em 2021, saltou para cerca de US$ 7,5 bilhões em 2025, impulsionado por vendas constantes ao longo dos anos.

Para os especialistas do setor, o governo brasileiro tem um papel crucial na expansão da Embraer. Marcos José Barbieri Ferreira, professor da Unicamp, salienta que a venda de aeronaves complexas ajuda a estreitar relações entre países. A qualidade dos produtos da Embraer e a confiança nas políticas do Brasil se interligam, configurando um fator decisivo na escolha de parceiros para negócios.

Além de sua destacada posição no mercado, que inclui 7% da aviação comercial global, a Embraer busca ampliar sua influência por meio dos jatos da família E2, que já conta com 397 pedidos internacionais. Francisco Gomes Neto, CEO da Embraer, vislumbra novas oportunidades no segmento de aeronaves de grande porte, embora advogue que a empresa deve se concentrar em nichos onde já possui forte presença.

Enio Beal Junior, CEO da Jinkout Business Aviation, enfatiza a importância da Embraer no contexto geopolítico, ressaltando sua habilidade em unir tecnologia e diplomacia. As aeronaves da Embraer, operando em diversos países, atuam como um vetor de soft power, promovendo colaborações duradouras.

Diante de um cenário em que Boeing e Airbus dominam 79% do mercado, a Embraer precisa ser estratégica para alçar novos voos, não apenas limitando-se a competir, mas moldando o futuro da mobilidade aérea, especialmente no emergente setor de eMobilidade. Assim, a consolidação de parcerias internacionais parece ser o caminho mais viável para a Embraer avançar em um campo repleto de desafios, mas também de oportunidades promissoras.

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