Embraer ameaça reduzir investimentos nos EUA se tarifas sobre setor aeronáutico não forem eliminadas, alerta diretor financeiro da empresa durante evento em São Paulo.

Embraer em alerta: possível reversão de investimentos nos EUA

A Embraer, uma das principais fabricantes de aeronaves do mundo, manifestou preocupação com a situação das tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos. De acordo com o diretor financeiro da empresa, Antônio Garcia, a fabricante brasileira pode reconsiderar seus planos de investimento no país se as tarifas de 10% aplicadas ao setor aeronáutico não forem eliminadas. Garcia fez essas declarações durante o Prêmio Equilibrista, organizado pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de São Paulo.

Recentemente, a Embraer anunciou investimentos significativos que já haviam sido decididos antes da implementação das tarifas. No entanto, o diretor enfatizou que, diante do cenário atual, a companhia poderá rever esses aportes. O impacto das tarifas, que inicialmente foram estipuladas em 10% e posteriormente aumentadas para 50% em julho, continua a afetar a competitividade da empresa no mercado norte-americano, que é o maior para a aviação regional.

Garcia ressaltou que a realidade enfrentada pela Embraer é um desafio, pois as tarifas acabam sendo repassadas ao consumidor final, prejudicando a viabilidade comercial dos produtos da empresa. Ele se mostrou ciente de que as mudanças nas tarifas são cruciais para garantir a manutenção da competitividade da Embraer frente aos seus concorrentes, que já retornaram a um cenário de isenção tarifária.

No último mês, a Embraer anunciou um investimento de R$ 376 milhões para a construção de um novo hangar de manutenção no Texas, como parte de um plano de aporte de US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,7 bilhões) ao longo dos próximos cinco anos. Além dessa unidade, a empresa também planeja destinar recursos à base de Melbourne, na Flórida. Não obstante, a Embraer não descarta aumentar seus investimentos em mais US$ 500 milhões, dependendo da escolha do cargueiro KC-390 pela Força Aérea dos Estados Unidos.

O futuro das operações da Embraer no país depende, em grande parte, das decisões fiscais a serem tomadas pelo governo dos EUA. Se as tarifas não forem reduzidas ou eliminadas, a fabricante brasileira pode se ver forçada a ajustes significativos em sua estratégia de investimento, o que poderia impactar tanto suas operações quanto sua competitividade no mercado global.

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