O argumento de O’Leary contra a utilização da tecnologia Starlink era baseado em preocupações técnicas e financeiras. Ele apontou que instalar antenas em sua frota de 650 aeronaves aumentaria a resistência aerodinâmica, resultando em um consumo adicional de combustível que poderia gerar custos anuais de até 250 milhões de dólares. O argumento, embora técnico, rapidamente se transformou em um embate de egos, onde ambos os lados passaram a se atacar publicamente em plataformas como X, anteriormente conhecida como Twitter.
A Ryanair, conhecida por seu tom sarcástico nas redes sociais, não hesitou em entrar na disputa. Em uma de suas postagens, zombou de uma instabilidade ocorrida no X sugerindo que Elon Musk poderia precisar de Wi-Fi. Além disso, lançou uma promoção com o nome provocativo de “idiot seat sale”, diretamente aludindo a Musk e à sua interação na plataforma.
A escalada da rivalidade foi intensificada quando Musk decidiu fazer uma enquete no X perguntando se deveria comprar a Ryanair e “restaurar o Ryan como governante legítimo”, referindo-se ao cofundador da empresa que faleceu em 2007. Com a postagem ganhando rapidamente dezenas de milhões de visualizações e uma avalanche de votos, a maioria se pronunciou a favor da ideia. Contudo, essa movimentação no mundo das redes sociais encontrou uma resposta morna no mercado, uma vez que as ações da Ryanair tiveram uma leve queda, indicando a desconfiança dos investidores quanto à seriedade da proposta.
Vale ressaltar que a compra da Ryanair por Musk apresenta desafios legais. De acordo com regulamentações da União Europeia, companhias aéreas baseadas no bloco precisam ser majoritariamente controladas por cidadãos ou empresas da região, e Musk, apesar de seu extenso portfólio de negócios, não se enquadra nesses critérios. O episódio parece mais um espetáculo de marketing do que uma proposta de aquisição real, com analistas considerando que se trata de um choque de estilos entre dois executivos de alta visibilidade. Enquanto Musk usa as redes sociais para atrair atenção, O’Leary já construiu sua reputação em polêmicas estratégicas.
Assim, o que parecia ser uma frota de negociações se transforma, na verdade, numa batalha de egos, marketing e visibilidade. O mercado, por sua vez, observa a distância, pouco convencido de que essa provocação bilionária possa realmente resultar em uma negociação concreta. Em tempos onde a fama e a imagem muitas vezes têm mais valor que os reais números no mercado, fica claro que para Musk, o show deve continuar.
