Eleições no Peru: Votação prorrogada após tumultos; governo enfrenta crise e candidatos disputam a presidência em meio a denúncias de fraude e falta de cédulas.

Na noite deste domingo, o Conselho Nacional de Eleições do Peru decidiu prorrogar a votação nas eleições presidenciais, um pleito que já se mostrava conturbado. O prolongamento do processo eleitoral se deu em face de tumultos e problemas logísticos nas zonas eleitorais, como a falta de cédulas de votação e denúncias de fraude. Este ano, a disputa presidencial é uma das mais concorridas da história do país, com 35 candidatos disputando o cargo máximo da nação.

Yessica Clavijo, secretária do órgão eleitoral, anunciou que os eleitores que não conseguiram exercer seu direito de voto devido à ausência de material eleitoral poderiam retornar às urnas nesta segunda-feira, 13, entre 7h e 14h. Esse cenário de confusão não se limitou apenas à capital, Lima, mas também se estendeu para distritos nos Estados Unidos, como Orlando e Paterson, onde ocorreram relatos similares.

O chefe do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), Piero Corvetto, informou que cerca de 63.300 eleitores em Lima não puderam votar porque as cédulas não estavam disponíveis. Ele atribuiu a falha à empresa encarregada da distribuição, ressaltando que, das 92.012 seções eleitorais estabelecidas, 99,8% funcionaram normalmente, enquanto apenas 211 seções enfrentaram problemas.

Com cerca de 27 milhões de cidadãos registrados para votar, e considerando que a participação é obrigatória, a notícia do adiamento trouxe implicações para o cronograma de apuração, que agora deve ser finalizado apenas a partir de quarta-feira, 15.

Pesquisas de boca de urna sugerem a possibilidade de um segundo turno nas eleições, visto que os candidatos não chegaram aos 50% dos votos necessários para uma vitória direta. Com 16,5% das intenções, a direitista Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, lidera os números. Logo atrás estão figuras como o ultraconservador Rafael Lópes e o centro-esquerdista Jorge Nieto Montesinos.

Atualmente, o Peru é governado por José María Balcázar Zelada, do partido Perú Libre, que assumiu a presidência interina após a destituição de José Jerí, ocorrida no último mês de fevereiro. A instabilidade política no país tem sido um tema recorrente, com oito presidentes nas últimas dez anos, refletindo uma crise de governança que se arrasta e influencia as dinâmicas eleitorais.

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