O Impacto do Medo nas Campanhas Eleitorais Brasileiras: Uma Análise do Caso Venezuelano
As campanhas eleitorais no Brasil estão, mais uma vez, sendo fortemente influenciadas por questões internacionais, especialmente a crise na Venezuela. Recentemente, um ataque militar dos Estados Unidos a Caracas, que culminou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, intensificou esse cenário. Com a alegação de combater o narcotráfico e restaurar a democracia, os EUA não esconderam que a verdadeira motivação pode ser o controle dos vastos recursos petrolíferos do país latino-americano, que foram estatizados por Hugo Chávez.
Este acontecimento se desdobrou em uma série de reações no Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a ação americana como uma “afronta gravíssima” à soberania da Venezuela, alertando para os perigos que isso representa para a comunidade internacional. Em contrapartida, figuras da oposição, como Tarcísio de Freitas e Ronaldo Caiado, celebraram o ataque, tratando-o como um passo na direção da restauração da democracia no país vizinho.
Analistas políticos, como Luiz Javier Ruiz, mencionam que essa situação poderá ser utilizada pela oposição nas eleições brasileiras para incutir o medo nos eleitores. A narrativa de que uma reeleição de Lula poderia levar o Brasil a um destino semelhante ao da Venezuela é uma tática que busca aterrorizar a população. O analista observa que já houve tentativas anteriores de usar essa estratégia, sem sucesso, em pleitos passados.
Vitor Stuart de Pieri, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, complementa essa perspectiva ao destacar que os eleitores brasileiros veem a crise venezuelana não apenas como uma questão de política externa, mas como uma ameaça ao bem-estar econômico interno. Para o eleitor conservador, Lula é visto com desconfiança devido à sua conivência ideológica com Maduro. Por outro lado, os progressistas, independentemente de seu apoio a Maduro, rejeitam a ideia de uma intervenção militar.
A Venezuela, nesse contexto, surge como uma narrativa que poderia influenciar o resultado das eleições, mas, como ressaltam os especialistas, o que realmente determinará a decisão dos eleitores é a realidade econômica e a capacidade do governo de garantir estabilidade e bem-estar para a população. Portanto, ao final, a diplomacia de Lula será avaliada mais por sua habilidade em evitar conflitos do que pela dikrinização ideológica. Assim, embora o medo vinculado à Venezuela possa ser uma ferramenta útil nas campanhas, a economia e o bem-estar da população permanecem no centro das preocupações dos eleitores brasileiros.







