Eleições: A Imprensa e o Imponderável – Como Pesquisas e Cenários Podem Mudar até o Último Minuto da Corrida Política.

Na política, a certeza é um conceito volátil, especialmente em período eleitoral. A frase popular que diz que “quem morre de véspera é peru” se encaixa bem nesse contexto. Para candidatos, o jogo só termina quando o último voto é registrado, e confiar excessivamente nas pesquisas — sejam espontâneas ou induzidas — pode levar a equívocos significativos. A pesquisa é apenas uma fotografia do momento atual e, como uma imagem que pode se transformar em um filme de terror nas vésperas da eleição, não é capaz de prever o que ainda está por vir.

As diferentes metodologias de pesquisa têm suas próprias nuances: enquanto a pesquisa espontânea capta a convicção dos eleitores, a induzida foca na rejeição e na familiaridade com os candidatos. Contudo, nenhuma delas consegue mensurar o elemento da imprevisibilidade, que pode mudar todo o jogo em um piscar de olhos.

A influência da mídia sobre os resultados eleitorais é um tema debatido, mas sua eficácia não é garantida. Exemplos históricos mostram que a cobertura da imprensa pode alterar o curso da política. Em 1989, a mídia foi fundamental na ascensão de Fernando Collor, ao tentar barrar adversários considerados ameaçadores, como Leonel Brizola e Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, nas eleições de 1994 e 1998, a vitória de Fernando Henrique Cardoso foi impulsionada pelo sucesso do Plano Real e pelo poder de compra dos brasileiros, não por editoriais.

Luiz Inácio Lula da Silva venceu eleições mesmo diante de uma cobertura midiática adversa, evidenciando que a prensa nem sempre dita as regras do jogo. Dilma Rousseff seguiu trajetória semelhante. Nas eleições de 2018, enquanto a mídia tentava minimizar a figura de Jair Bolsonaro, eventos inesperados, como um atentado à sua vida, mudaram a dinâmica política.

Atualmente, imprensa e elite política parecem sonhar com a chamada “terceira via”, um candidato que não represente nem Lula nem Bolsonaro. Contudo, a viabilidade dessa alternativa é incerta. Nomes como Ronaldo Caiado ou Romeu Zema podem emergir, mudando o cenário drástico que se vislumbra. Para muitos, sua ascensão poderia ser menos problemática do que a manutenção de Lula ou a continuidade de Bolsonaro no poder.

A situação é dinâmica e até mesmo figuras históricas, como Flávio Bolsonaro, podem ser reinterpretadas. A visão de que ele seria “mais domesticável” que seu pai é um reflexo das mudanças nas estratégias da elite política e midiática, que busca novos caminhos para lidar com os dilemas atuais. Lula, o alvo prioritário da mídia, continua sendo visto como uma ameaça. A elite política anseia que ele desista de mais um mandato, mas a insistência de Lula em permanecer na corrida revela que, na política, a persistência pode fazer toda a diferença. E quem persevera, tende a causar impacto até o último instante da competição.

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