Prevê-se que, entre setembro e outubro de 2026, a temperatura das águas do Pacífico pode ultrapassar em mais de 3°C a média histórica, o que poderia resultar no segundo pico de intensidade do El Niño já registrado. As implicações para a agricultura são preocupantes, já que produtores na Tailândia e no Vietnã, países que são grandes fornecedores de arroz, podem enfrentar condições adversas que comprometam suas colheitas. Essa situação é ainda mais agravada por potenciais interrupções nas cadeias de abastecimento devido a instabilidades geopolíticas no Oriente Médio, que podem afetar a logística de exportação.
Além do arroz, as previsões indicarão desafios para a produção de outras culturas como cana-de-açúcar, óleo de palma, chá, borracha, café e cacau. Biólogos agrícolas apontam que a maior parte dessas culturas é cultivada no Sudeste Asiático, uma região que deve ser particularmente afetada pelas variações climáticas associadas ao El Niño, apresentando “o cenário mais difícil” para os agricultores locais.
No Brasil, o fenômeno não apenas ameaça a produção de culturas tradicionais, como soja e milho, mas também pode impactar as colheitas de trigo. Especialistas alertam que anomalias climáticas na América do Sul podem resultar em quedas significativas na produção agrícola, afetando a oferta global e, consequentemente, os preços dos alimentos.
A preocupação com a escassez de alimentos, especialmente em um contexto onde a demanda por esses produtos já é alta, suscita debates sobre a necessidade de estratégias de adaptação e mitigação para o agronegócio mundial. A resiliência da agricultura frente a fenômenos climáticos extremos se torna, assim, um tema cada vez mais urgente, demandando ações coordenadas em nível global.
