Segundo Lucas dos Prazeres, a utilização da brincadeira como uma base pedagógica é crucial. Ele afirma que é fundamental promover a cultura regional para que os estudantes reconheçam e valorizem as raízes de seu próprio território. Essa abordagem se alinha com a Lei nº 11.645, que, completando 18 anos, tornou obrigatória a inclusão da história e cultura afro-brasileira e indígena no currículo das escolas de todo o país.
O artista argumenta que a “tecnologia” a ser desenvolvida dentro da educação é a criação de uma rede de apoio comunitário, que amplia o cuidado e a responsabilidade sobre as crianças, indo além do que é esperado dos pais biológicos. Lucas está atualmente capacitando 60 professores do Distrito Federal em um projeto da Caixa Cultural, chamado “Reaprender Brincando”. Esse curso traz as tradições culturais populares para a sala de aula, estabelecendo uma conexão entre ensino e identidade de maneira inclusiva e antirracista.
Para ele, é vital que a cultura esteja presente na vida cotidiana de cada comunidade. A proposta é integrar todas as disciplinas escolares às histórias locais, fomentando uma educação que reflita o modo de vida dos alunos. O aprendizado mais significativo para Lucas ocorreu no Morro da Conceição, sua terra natal, que ele descreve como um verdadeiro “caldeirão” de saberes culturais de Pernambuco, onde a diversidade convive em harmonia.
As primeiras experiências educativas na vida de Lucas foram inspiradas por sua mãe e sua tia, que fundaram uma creche-escola comunitária. Ele recorda que o material didático oferecido era desconectado da realidade das crianças atendidas, o que gerou a necessidade de uma abordagem mais pertinente e autêntica.
Lucas reforça que cabe a educadores de todas as áreas, inclusive nas ciências exatas, integrar a arte em suas práticas pedagógicas. Ele defende a importância de conectar as experiências da infância às histórias pessoais e culturais, contribuindo para a formação de uma identidade cultural desde os primeiros anos.
Para concluir, o pesquisador ressalta que a presença da cultura nas escolas vai muito além de eventos superficiais. Ela deve ser usada como uma ferramenta fundamental para o aprendizado, enriquecendo a educação de maneira profunda e genuína.





