Um fato significativo dessa nova diretriz é a inclusão dos autores indígenas pela primeira vez na Fuvest. Durante os dois primeiros anos da nova lista, os candidatos deverão ler “Originárias: uma Antologia Feminina de Literatura Indígena”, que compila contos de Trudruá Dorrico e Maurício Negro, e em 2032-2033, “Fantasmas”, de Daniel Munduruku. A inclusão desses textos representa um movimento importante para dar visibilidade a vozes frequentemente marginalizadas no cenário literário brasileiro.
Em uma declaração, Gustavo Monaco, diretor executivo da Fuvest, enfatizou a necessidade de proporcionar uma visão mais contemporânea e abrangente nas escolhas literárias, permitindo que os estudantes confrontem temas diversos e estabeleçam relações entre diferentes correntes e narrativas. Essa abordagem também é observada em outros exames nacionais, como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), indicando uma tendência maior de integrar experiências e visões multifacetadas na formação discente.
Com essa atualização, a correção das questões de literatura na Fuvest assume uma nova complexidade. O exame de português, que é obrigatório para todos os candidatos na segunda fase — totalizando cerca de 30 mil pessoas —, será aplicado por uma equipe composta por professores da USP e doutorandos, o que promete debates mais ricos e variados durante o processo de avaliação, à medida que surgem interpretações diferenciadas entre os alunos.
Além disso, a nova lista restabelece uma paridade de gêneros na escolha dos autores, promovendo um balanço entre escritores masculinos e femininos, um aspecto que refletir uma preocupação maior com inclusão e representatividade. A seleção para os anos de 2030 e 2031 inclui obras célebres como “Laços de Família” de Clarice Lispector e “Esaú e Jacó” de Machado de Assis, já a de 2032 e 2033 traz obras como “Orfeu da Conceição”, de Vinicius de Moraes, e “Fantasmas”, de Daniel Munduruku.
Em síntese, a lista não apenas reflete uma mudança nos conteúdos cobrados, mas também nos modos de pensar a literatura e seu papel na formação crítica dos futuros estudantes da USP.







