A professora Soraya Smaili, do Departamento de Farmacologia da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, destaca que esse avanço representa um salto significativo na capacidade de diagnóstico do câncer, permitindo uma abordagem personalizada para cada paciente. O laboratório se destaca como o primeiro centro público avançado de pesquisa e diagnóstico molecular no Brasil, com um modelo de integração entre diferentes áreas do conhecimento.
Neste início de operação, 27 projetos de pesquisa já foram estabelecidos, com foco em capacitação avançada e desenvolvimento de pesquisas significativas. Os primeiros beneficiados são pesquisadores da própria Unifesp, da Universidade de São Paulo (USP), da Santa Casa de São Paulo, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), e de hospitais privados de referência da capital, como os hospitais São Camilo e A.C. Camargo.
Um dos principais diferenciais do Laboratório Interdisciplinar reside na tecnologia de ponta que oferece, ainda não disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para diagnóstico de câncer. Essa tecnologia permite uma avaliação precisa de marcadores genômicos específicos, facilitando o mapeamento de pequenas variações em células, como as sanguíneas, e acelerar o entendimento sobre a patologia.
Por exemplo, um paciente que possui histórico familiar de câncer agressivo poderia iniciar um tratamento de forma antecipada, antes mesmo da coleta de uma biópsia, aumentando suas chances de sucesso, especialmente em casos de cânceres raros e de evolução rápida, como os de pâncreas e pulmão. Janete Cerruti, pesquisadora e professora da Unifesp, ressalta que essa abordagem não só melhora as taxas de cura e sobrevida, mas também minimiza o risco de metástases e complicações graves decorrentes da doença.
Embora a realização de diagnósticos convencionais ainda dependa da biópsia e da avaliação de patologistas, o laboratório busca ir além, empregando testes genômicos para identificar biomarcadores moleculares específicos, como os genes BRCA1/BRCA2, relacionados ao câncer de mama, ou as mutações no gene BRAF, associadas ao câncer de pele. Esses biomarcadores são indicativos de alterações e fornecem informações cruciais sobre o estágio da doença.
Financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) com um investimento inicial de R$ 5 milhões, o laboratório também busca estabelecer convênios com o SUS, criando um canal de atendimento direto à população e ampliando a atuação da Unifesp na saúde pública, especialmente por meio do Hospital São Paulo, um importante centro de referência em alta complexidade.
Sob a coordenação da professora Soraya Smaili, a equipe é composta por renomados especialistas , que somam esforços com a proposta da Fapesp, já contando com 17 pesquisadores associados, em busca de tornar este novo laboratório um fulcro de referência em pesquisa e diagnóstico molecular no Brasil.
