EDUCAÇÃO – Resultados do Enamed geram polêmica entre instituições privadas de ensino superior devido a divergências e críticas sobre avaliação e consequências punitivas impostas pelo MEC.

Na última segunda-feira, organizações que representam instituições privadas de ensino superior expressaram suas preocupações e críticas em relação aos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), que avaliou 351 cursos de medicina em todo o Brasil. A divulgação dos dados gerou um significativo debate no setor educacional, destacando discrepâncias entre as informações previamente reportadas ao sistema em dezembro do último ano e os números apresentados recentemente.

A Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) solicitou esclarecimentos técnicos do Ministério da Educação (MEC) e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a entidade responsável pela avaliação. A Anup manifestou cautela antes de emitir uma posição definitiva quanto aos resultados.

A Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) também se posicionou, criticando a forma como o MEC e o Inep conduziram o Enamed. A Abmes apontou que a primeira edição do exame, realizada em 2025, ocorreu antes da publicação dos critérios que definiriam o desempenho esperado e as implicações dos resultados. Segundo a associação, isso contraria princípios fundamentais de previsibilidade e transparência, deixando instituições e alunos em uma situação de incerteza.

Outro ponto que gerou controvérsia foram as medidas punitivas que o MEC e o Inep planejam aplicar com base nos resultados, como restrições no número de vagas e proibição de novos ingressos. A Abmes recomenda que os resultados do Enamed sejam tratados como uma análise inicial, focada na melhoria das edições futuras e sugere a suspensão das penalidades propostas.

Em um evento no Palácio do Planalto, o ministro da Educação, Camilo Santana, comentou sobre o tema, assegurando que as medidas cautelares visam garantir a qualidade das instituições de ensino e não prejudicar os alunos. Ele enfatizou que o objetivo é incentivar as faculdades a refletirem sobre a qualidade de sua infraestrutura e a formação dos futuros médicos.

A análise dos resultados revelaram que, dos 351 cursos avaliados, 243 obtiveram desempenhos satisfatórios, com pelo menos 60% dos alunos concluintes considerados proficientes. Entretanto, 107 cursos foram mal avaliados e um não foi avaliado devido ao número reduzido de concluintes. As instituições federais foram as que apresentaram os melhores resultados, enquanto as de rede municipal e as relacionadas a fins lucrativos demonstraram desempenho abaixo das expectativas, gerando preocupações sobre a formação de profissionais na área da saúde.

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