Os educadores exigem uma atualização de 5,4% no piso do magistério, além de um aumento salarial de 14,56%. Contudo, a administração municipal ofereceu um reajuste de apenas 3,51%, com base no Índice de Preços ao Consumidor (IPC-Fipe) acumulado entre abril de 2025 e março de 2026. Essa proposta foi aprovada em primeira votação na Câmara dos Vereadores, mas ainda passará por uma segunda rodada de discussões na próxima semana.
Representantes da administração municipal afirmam que o impacto financeiro da proposta em análise seria superior a R$ 1 bilhão por ano na folha de pagamento, sugerindo que os servidores teriam o benefício de reajustes sucessivos de 2,55% (já concedidos em 2025) e de 2% para 2026. No entanto, o Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo (Sinpeem) contesta que essa proposta não é suficiente para cobrir as perdas salariais acumuladas pelos servidores ao longo dos anos.
O descontentamento entre os educadores é palpável. Em um comunicado formal, o Sinpeem expressou a indignação da categoria em relação ao que considera um descaso do governo municipal. A assembleia decidiu não apenas manter a greve, mas também intensificar a mobilização, programando uma manifestação para o dia 13 de maio, em frente à prefeitura.
Por sua vez, o Sindicato dos Especialistas de Educação do Ensino Público (Sinesp) qualificou a proposta da prefeitura como “indecente”, alegando que ela não apenas falha em repor a inflação do período, mas ainda sugere um reajuste parcelado. O sindicato também levantou preocupações sobre outras propostas da prefeitura que podem favorecer contratações precárias e prejudicar concursos públicos, além de potencialmente abrir espaço para a privatização de serviços educacionais.
O Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias de São Paulo (Sindsep) também manifestou sua rejeição, ressaltando que a proposta se mostra inferior às expectativas, dado que a inflação acumulada dos últimos 12 meses gira em torno de 5,5%. Para o Sindsep, o governo estaria tentando empurrar um “reajuste” insatisfatório que não se alinha com as necessidades reais dos funcionários.
Em contraponto, a prefeitura argumenta que, para alguns profissionais da educação, o aumento salarial pode chegar a 5,4% no piso inicial, resultando em um salário de R$ 5.831,88 para professores em início de carreira, valor que supostamente supera o piso nacional previsto para 2026.
Além disso, a administração municipal afirma que uma decisão judicial determina que as escolas mantenham seu funcionamento, mesmo durante a greve, com a obrigatoriedade de 70% do corpo docente presente. O governo alerta que ausências não justificadas estarão sujeitas a descontos na remuneração, orientando os responsáveis a se comunicar com as diretorias regionais em casos de falta de atendimento escolar.
A situação continua sendo um ponto de tensão entre os educadores e a gestão municipal, com possíveis desdobramentos nas próximas semanas. O descontentamento dos profissionais de educação destaca a necessidade de um diálogo mais efetivo e soluções que atendam às demandas de valorização do magistério público.


