O Índice de Necessidade de Creche Estados e Capitais (INC), desenvolvido pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal em parceria com a Quantis, foi elaborado para auxiliar no planejamento de políticas de acesso à creche. O estudo apresenta um panorama das condições sociais e econômicas das famílias e das crianças em todo o país e destaca a urgência em atender essa demanda.
De acordo com a gerente de Políticas Públicas da FMCSV, Karina Fasson, a criação do INC visa informar os territórios sobre a magnitude da população que poderia se beneficiar do acesso à creche e a importância de políticas específicas para cada região. O estudo revela que o Piauí é o estado com a maior necessidade de creches, enquanto Rondônia apresenta a menor porcentagem de crianças nessas situações prioritárias.
Salvador é a capital com a maior necessidade de creches, enquanto Porto Velho é a com a menor demanda proporcional. Ainda segundo o estudo, 13,2% das crianças brasileiras até 3 anos vivem em situação de pobreza, 5,4% são de famílias monoparentais e 25,7% têm mães ou cuidadores que trabalham ou poderiam trabalhar se tivessem acesso à creche.
A implementação de políticas públicas que garantam o acesso à creche é essencial não apenas para o desenvolvimento infantil, mas também para a inserção e manutenção das mulheres no mercado de trabalho. A defensora de políticas para mulheres negras, Juliana Martins, destaca que o direito à creche é fundamental para a equidade social e econômica, impactando diretamente a vida das famílias mais vulneráveis.
Nesse contexto, é fundamental que o Poder Público cumpra com suas responsabilidades em relação à oferta de vagas em creches, conforme determinado pelo Plano Nacional de Educação (PNE). A creche não é uma etapa obrigatória, mas é um direito das crianças e das famílias que deve ser garantido pelo Estado, visando promover a igualdade de oportunidades desde a primeira infância.





