EDUCAÇÃO – Liderança quilombola cobra ensino inclusivo nas escolas após 22 anos da Lei 10.639: “Nossas crianças precisam reconhecer nossas histórias”

No cenário educacional brasileiro, a presença de heróis, escritores e personagens brancos nos cadernos e livros das crianças tem sido um empecilho para a construção de identidades e reconhecimento da diversidade étnica do país. Segundo a líder comunitária Rose Meire Silva, da comunidade quilombola Rio dos Macacos, localizada em Simões Filho (BA), essa representatividade limitada prejudica a formação das crianças e jovens negros, que carecem de referências que se assemelhem à sua realidade.

A agricultora, mesmo analfabeta, vem buscando conscientizar as escolas próximas à comunidade sobre a Lei 10.639, que há 22 anos tornou obrigatório o ensino da cultura afro-brasileira. O desafio é garantir a inclusão desses conteúdos de forma efetiva nos currículos escolares, uma vez que muitas crianças precisam percorrer longas distâncias para chegar às escolas e nem sempre encontram abordagens inclusivas em sala de aula.

Professora e pesquisadora em educação e direitos humanos, Gina Vieira ressalta a importância de cobrar o cumprimento da lei e promover a diversidade e a identidade brasileira no ambiente escolar. Para ela, a lei representa um avanço na valorização da cultura afro-brasileira e na busca por uma formação mais integral e diversa dos estudantes.

A docente Luiza Mandela, também pesquisadora, destaca que a aplicação da Lei 10.639 possibilitou avanços nas estruturas educacionais do país, incentivando a produção intelectual negra e a valorização da estética negra nas escolas. No entanto, ambas enfatizam a necessidade de aperfeiçoamento da legislação, especialmente no que diz respeito à formação docente e à fiscalização do cumprimento da lei nas escolas.

A celebração dos 22 anos da Lei 10.639 traz reflexões sobre o papel da escola na promoção da diversidade étnico-racial e no combate ao racismo estrutural. A iniciativa de inclusão da cultura afro-brasileira nos currículos educacionais é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, onde todas as vozes e histórias tenham espaço para serem ouvidas e valorizadas.

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