Os estudantes alegam que os cursos possuem demandas específicas de professores que não estão sendo supridas. Um exemplo citado é a Faculdade de Letras, que necessita de quase cem professores para repor as perdas dos últimos anos. Mandi Coelho, estudante de letras e membro do centro acadêmico da faculdade, afirmou: “É um absurdo, nós precisamos de quase cem professores para suprir essa demanda”.
Além disso, os alunos também estão pedindo um aumento nos valores do programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), que atualmente varia de R$ 300 a R$ 800. Eles reivindicam ainda a reativação do gatilho automático para reposição de professores, que foi extinto. Segundo a estudante, o mecanismo anterior garantia a contratação de novos professores em casos de falecimento ou aposentadoria, o que não ocorre mais.
A falta de professores é uma preocupação na Universidade de São Paulo. Estima-se que a instituição tenha cerca de 6 mil professores em 2014, enquanto atualmente conta apenas com cerca de 4,9 mil, de acordo com levantamento da Associação de Docentes da universidade. Isso gera sobrecarga de trabalho, afeta a formação dos estudantes e compromete o oferecimento de disciplinas obrigatórias.
De acordo com a presidente da Adusp, Michele Schultz, as cerca de 800 contratações anunciadas pela reitoria não são suficientes para suprir a necessidade da universidade. Desde janeiro de 2022, 305 professores deixaram a instituição, seja por falecimento, aposentadoria ou exoneração.
A reportagem entrou em contato com a reitoria da USP, porém não obteve resposta até o momento. Em relação à permanência estudantil, a universidade informou que houve um aumento de 58% nos investimentos na área em 2023. O valor do auxílio aumentou de R$ 500 para R$ 800, sendo que os estudantes com vaga no Conjunto Residencial da USP (Crusp) passaram a receber um auxílio adicional de R$ 300. Além disso, todo aluno tem direito à gratuidade nos restaurantes universitários e, pela primeira vez, foram concedidos auxílios também para estudantes de pós-graduação.
A falta de professores e a necessidade de melhorias na permanência estudantil são problemas que afetam diretamente a qualidade do ensino e a experiência dos alunos na USP. Os estudantes continuam mobilizados em busca de soluções para essas questões, enquanto aguardam uma resposta oficial da reitoria da instituição.
