As principais demandas dos alunos incluem um aumento no valor do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), melhorias nas moradias estudantis e nas condições dos restaurantes universitários, conhecidos como bandejões. Em um comunicado do Diretório Central dos Estudantes (DCE), um dos motivos citados para a ocupação é a “extrema precarização das condições de inclusão e permanência dentro da universidade”. Os alunos relatam problemas graves no Conjunto Residencial da USP (CRUSP), como a falta de água e a presença de mofo nos apartamentos, além de questões relacionadas à insegurança alimentar nos bandejões, que, segundo eles, têm oferecido refeições em estado inadequado.
Guilherme Farpa, estudante de Jornalismo e membro do DCE, critica a proposta de aumento de apenas R$ 27 no auxílio, afirmando que isso é insuficiente para cobrir as necessidades básicas dos estudantes que vivem em uma região onde o custo de vida é elevado. Atualmente, os valores do auxílio são de R$ 885 para quem recebe o integral e R$ 320 para o parcial, quantias que, segundo ele, não são viáveis para a sobrevivência no Butantã e em outros locais onde os campi estão situados.
Os estudantes expressam sua indignação ao observar que a USP possui um orçamento previsto de R$ 9 bilhões para 2026, além de ter aprovado uma bonificação de R$ 240 milhões para os professores. Isso levanta questionamentos sobre a falta de investimentos em outras áreas que também são críticas para a comunidade acadêmica.
A ocupação da reitoria só será finalizada com a promessa da reitoria de reabrir as negociações. Segundo os alunos, é fundamental que suas vozes sejam ouvidas, já que sua realidade cotidiana como estudantes é diferente da experiência dos professores e da administração da universidade.
Em resposta à ocupação, a reitoria lamentou a ação, descrevendo-a como uma escalada de violência e manifestando preocupação com danos ao patrimônio público. A reitoria também anunciou que está tomando medidas, incluindo a solicitação de apoio das forças de segurança pública para evitar a expansão da ocupação a outras áreas da instituição. Antes dessa mobilização, a reitoria havia divulgado um comunicado mencionando a realização de reuniões com os alunos, ressaltando esforços para promover avanços nas negociações em prol da comunidade acadêmica.