Apesar do avanço, o país ainda enfrenta desafios. Em todas as regiões, o percentual de crianças atendidas permaneceu abaixo da meta de 50% estipulada pelo Plano Nacional de Educação (PNE), que vigorou até o final de 2025. Embora a matrícula em creches não seja obrigatória, a lei garante que o atendimento a crianças de 0 a 3 anos é um direito assegurado, ressaltando a responsabilidade do poder público em fornecer esses serviços de acordo com a demanda existente.
O novo PNE, que se estende até 2034, estabelece uma meta ambiciosa de atender pelo menos 60% das crianças de 3 anos. Especialistas da área, como a coordenadora de Políticas Educacionais do “Todos Pela Educação”, enfatizam que, embora a melhora no acesso às creches seja um avanço, é crucial acelerar essa expansão. Os desafios incluem a necessidade de um planejamento eficaz e financiamento adequado, além de um regime de colaboração entre os diferentes níveis de governo.
Em 2025, a taxa de atendimento para crianças de 4 e 5 anos na pré-escola chegou a 96,1%, próximo da universalização. Contudo, cerca de 4% das crianças nessa faixa etária ainda não estavam matriculadas, com desigualdades notáveis entre as diferentes classes socioeconômicas e regiões do país. As crianças mais pobres enfrentam barreiras significativas, com dados indicando que 24,2% das crianças em famílias com baixa renda não tinham acesso à educação infantil, em comparação a 6,4% entre as famílias mais ricas.
Outro aspecto importante a ser abordado são as desigualdades regionais. Por exemplo, enquanto Santa Catarina consegue atender 58,4% das crianças de 0 a 3 anos, os estados da Região Norte, como Amapá e Acre, têm porcentagens alarmantemente baixas. A falta de creches e de vagas, somada à idade das crianças, também figura entre os principais motivos que dificultam a matrícula. Em um panorama que ainda apresenta desigualdades raciais, socioeconômicas e territoriais, a necessidade de um levantamento preciso da demanda e outros dados específicos sobre as comunidades vulneráveis se torna premente.
A partir de 2026, o Ministério da Educação está implementando o “Compromisso Nacional pela Qualidade e Equidade na Educação Infantil”, com investimentos de mais de R$ 406 milhões nos estados e municípios que aderirem ao plano. Este projeto visa não apenas aumentar a oferta de vagas, mas também garantir a permanência das crianças nas instituições de ensino. O caminho para a equidade na educação infantil é repleto de obstáculos, mas o compromisso governamental e a ação colaborativa são essenciais para garantir que mais crianças possam usufruir do direito à educação desde a primeira infância.
