Esse cenário preocupante levou os alunos de artes visuais, de outros cursos da ECA e de outras unidades da USP a realizarem uma manifestação no dia 9 de agosto. O objetivo foi denunciar a situação e exigir providências das autoridades responsáveis. Em uma carta aberta divulgada durante a manifestação, os estudantes ressaltaram a importância do curso de artes visuais, que foi o 12º mais procurado no último vestibular da USP, com quase 31 candidatos por vaga, destacando seu papel histórico para as artes brasileiras.
A falta de contratação de professores no curso de Artes Visuais da USP não apenas limita as oportunidades de desenvolvimento de novos talentos, mas também compromete o prestígio da instituição e sua capacidade de atrair estudantes, parcerias e projetos relevantes. Além disso, compromete a formação de profissionais da área, já que um corpo docente qualificado é fundamental para a qualidade do ensino.
O coordenador do curso, João Musa, confirmou a dificuldade enfrentada, destacando que os critérios para a indicação de professores têm impacto direto na redução do quadro. Os professores temporários têm contratos de até dois anos, e após esse período, é necessário realizar um novo concurso para contratar substitutos. Já no caso dos professores definitivos, que trabalham em período integral, Musa ressaltou que a reposição tem diminuído ao longo dos anos.
Segundo a Adusp, o curso de artes visuais conta atualmente com apenas 15 docentes, sendo que três estão em licença médica. Isso significa que há apenas 12 professores inteiramente dedicados ao departamento. Entre 2014 e 2022, sete docentes deixaram o cargo, enquanto apenas dois foram contratados. Essa situação se repete em outras unidades da USP e está relacionada à precarização do trabalho docente e a uma política de redução de contratações que gerou um déficit de mil docentes na universidade desde 2014.
A presidente da Adusp, Michele Schultz, destacou que a falta de professores é um problema generalizado em todas as unidades da USP, afetando diversas áreas de estudo. Embora a reitoria tenha anunciado a contratação de 876 docentes, Schultz ressaltou que esse número já estava previsto na gestão anterior e que não contempla as aposentadorias, exonerações e falecimentos que ocorrerão durante a atual gestão.
Diante dessa situação preocupante, alunos, funcionários e docentes elaboraram um manifesto em defesa da universidade pública, para combater as iniciativas de privatização que têm se intensificado nos últimos anos. A Reitoria da USP informou, por meio de nota, que concedeu 876 vagas para reposição de docentes no início de 2022, mas cabe às unidades de ensino e pesquisa realizarem os processos seletivos para a contratação dos professores.
A falta de professores no curso de artes visuais da ECA USP é um reflexo do déficit de docentes na universidade e da política de redução de contratações adotada nos últimos anos. Essa situação compromete a qualidade do ensino e a formação de profissionais qualificados, além de afetar o prestígio da instituição. Espera-se que as autoridades responsáveis tomem as devidas providências para solucionar esse problema e garantir a continuidade do curso.
