EDUCAÇÃO – Crescem Matrículas no Ensino Superior e EAD Supera Presenciais pela Primeira Vez, mas Evasão Preocupa com 40% de Abandono em Instituições Privadas.

O ensino superior no Brasil vive um momento de crescimento, com o número total de matrículas alcançando a impressionante marca de 10,23 milhões entre 2023 e 2024. Essa soma representa uma população estudantil maior do que a total do estado de Pernambuco, que conta com aproximadamente 9,5 milhões de habitantes. O aumento de 2,5% nas matrículas é notável, superando a taxa de crescimento populacional em quase todos os estados do país, exceto Roraima, que se destaca por receber uma significativa imigração.

Os dados sobre esse crescimento foram revelados na 16ª edição do Mapa do Ensino Superior, uma publicação que analisa as tendências e a dinâmica do setor educacional. Um aspecto interessante deste levantamento é a predominância das instituições privadas: oito em cada dez alunos optam por faculdades ou centros universitários que não pertencem à rede pública. É importante ressaltar que as faculdades geralmente são voltadas para áreas de conhecimento específicas e necessitam da aprovação do Ministério da Educação para oferecer novos cursos.

Uma das novidades do cenário atual é a mudança na forma de ensino. Pela primeira vez na história, as matrículas no ensino a distância (EAD) ultrapassaram as do ensino presencial, com 50,7% das inscrições agora concentradas na modalidade digital. Essa transição, embora marcante, trouxe à tona uma diminuição na taxa de crescimento da EAD de 5,6%, em comparação com o que foi observado durante os anos da pandemia.

Entretanto, as notícias não são animadoras no que diz respeito à retenção dos alunos. O mesmo estudo aponta uma alarmante taxa de evasão limitada às instituições de ensino superior. Para 2024, um em cada quatro alunos das universidades públicas abandonou seus cursos, enquanto essa taxa se eleva para dois em cada cinco no setor privado, indicando um preocupante cenário de desistências e desinteresse.

Nos cursos em alta demanda, a educação a distância se destacou nas áreas de Pedagogia, Enfermagem e Administração na rede privada, enquanto a rede pública viu um crescimento na procura por Educação Física, Matemática e Letras, principalmente voltados à formação de professores. Já nas instituições presenciais, as áreas mais buscadas na rede privada foram Direito, Enfermagem e Psicologia, e na rede pública, Pedagogia, História e Letras, confirmando uma forte tendência pela formação em licenciatura.

Esses dados revelam uma complexa realidade do ensino superior brasileiro, marcada por oportunidades e desafios significativos, como a gestão da evasão e a adequação das ofertas educacionais à demanda do mercado.

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