Essas informações estão delineadas no primeiro relatório global sobre tendências do ensino superior, elaborado por uma organização internacional de educação, que compila dados de 146 países. O documento revela que as instituições privadas ocupam um terço das matrículas globalmente, com um destaque particular na América Latina e Caribe, onde essa proporção chega a 49%. Em países como Brasil, Chile, Coreia do Sul e Japão, a maioria dos estudantes, aproximadamente quatro em cada cinco, escolhe instituições privadas. A taxa de conclusão em nível global, embora tenha avançado de 22% em 2013 para 27% em 2024, ainda não acompanhou o ritmo de novas matrículas.
O aumento da demanda por ensino superior, segundo especialistas, é crucial para a construção de sociedades sustentáveis. Contudo, essa expansão não garante oportunidades iguais para todos. Por isso, a criação de novos modelos de financiamento se faz necessária para promover um acesso inclusivo e de qualidade ao ensino superior.
A mobilidade internacional de estudantes também apresentou crescimento, triplicando de 2,1 milhões em 2000 para cerca de 7,3 milhões em 2024. No entanto, essa mobilidade ainda beneficia apenas 3% do total de estudantes globalmente. A concentração de estudantes internacionais continua a ser uma característica marcante, com países como Alemanha, Canadá e Estados Unidos recebendo a maioria.
Outro aspecto relevante abordado pelo relatório é a questão de gênero. Atualmente, as mulheres superam os homens nas matrículas de ensino superior, alcançando uma proporção de 114 mulheres para cada 100 homens em 2024, embora a paridade total ainda não seja uma realidade na África Subsaariana, onde as taxas permanecem baixas.
A inequidade e o financiamento insuficiente continuam sendo desafios prementes em várias partes do mundo, com apenas um terço dos países adotando políticas inclusivas para estudantes sub-representados. O crescimento do número de estudantes refugiados no ensino superior, embora significativo, enfrenta barreiras de reconhecimento de qualificações. Iniciativas como o Passaporte de Qualificações da Unesco visam facilitar o reconhecimento de habilidades e competências de indivíduos deslocados.
Por fim, o relatório alerta para a necessidade urgente de garantir padrões de qualidade na educação superior, ao mesmo tempo em que se busca ampliar o acesso a grupos marginalizados. A crescente adoção de tecnologias digitais e inteligência artificial traz novas oportunidades, mas apenas uma em cada cinco universidades possui uma política formal sobre o uso da IA. A combinação de expansão e desafios no ensino superior exige uma resposta coordenada e inovadora para atender à demanda global.
