Embora março tenha sido o mês recordista em vendas, com R$ 11,69 bilhões comercializados, o desempenho de outubro é um indicativo claro do crescente interesse por investimentos em títulos públicos. A predominância de papéis atrelados à taxa Selic foi notável, correspondendo a 48,1% das vendas. Os títulos corrigidos pela inflação, representando 32,2% do total, também atraíram a atenção dos investidores, enquanto os prefixados somaram 10,6%. Além desses, o Tesouro Renda+, lançado em 2023 com foco em aposentadorias, teve uma participação de 7,2%. Por outro lado, o Tesouro Educa+, introduzido em agosto deste ano para ajudar a financiar a educação superior, alcançou apenas 1,9% das vendas.
O interesse pelos títulos indexados à Selic pode ser explicado pela atual política monetária, que elevou a taxa para 15% ao ano, tornando esses papéis bastante atrativos. Paralelamente, as expectativas de aumento na inflação têm incentivado o investimento em títulos atrelados ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Outro crescimento notável foi no volume total do Tesouro Direto, que pela primeira vez superou R$ 200 bilhões, atingindo R$ 200,97 bilhões ao fim de outubro, um aumento de 2,89% sobre o mês anterior e 36,68% em relação ao ano passado. Esse incremento é impulsionado tanto pela correção via juros quanto pela vantagem das vendas sobre os resgates, que superaram em R$ 3,71 bilhões.
O aumento no número de investidores também é significativo. Em outubro, 238.716 novos participantes se juntaram ao programa, elevando o total para 33.766.759. Ao longo dos últimos 12 meses, o crescimento desse público foi de 11,7%, enquanto os investidores ativos, aqueles que mantêm operações em aberto, aumentaram em 20,7%, totalizando 3.257.794.
As preferências dos investidores indicam uma tendência para aplicações menores, com 80,2% das vendas situadas abaixo de R$ 5 mil. Dentro dessa categoria, 56,2% das operações foram feitas com montantes de até R$ 1 mil, e o valor médio das transações foi de R$ 7.631,62. Os títulos de curto prazo, com maturidades de até cinco anos, concentraram 54,9% das vendas, seguidos por papéis com vencimentos de cinco a dez anos, que corresponderam a 27,3%.
Criado em 2002, o Tesouro Direto tem como objetivo democratizar o acesso a investimentos em títulos públicos, permitindo que indivíduos adquiram esses papéis diretamente, sem a intermediação de instituições financeiras. Com a venda desses títulos, o governo pode captar recursos fundamentais para a gestão fiscal, oferecendo aos investidores retornos que variam conforme diferentes índices econômicos, como a Selic ou a inflação.









