Dentre os beneficiários, o estado do Rio Grande do Norte recebeu R$ 84,32 milhões, enquanto o Rio de Janeiro ficou com R$ 82,34 milhões. O Rio Grande do Sul também foi contemplado com R$ 70,55 milhões, refletindo uma tendência preocupante de encargos financeiros que persistem em várias regiões do país. Outras localidades como Amapá, Guanambi na Bahia, Paranã em Tocantins, e Santanópolis também foram mencionadas no relatório, com valores que, embora menores, são indicativos da dependência de assistência financeira federal.
Desde 2016, a União já desembolsou impressionantes R$ 86,78 bilhões em garantias relacionadas a dívidas, demonstrando um compromisso contínuo com a estabilidade financeira dos estados. Estas garantias funcionam como um respaldo dado pelo Tesouro Nacional a empréstimos e financiamentos realizados por estados e municípios frente a instituições financeiras, tanto nacionais quanto internacionais.
Entretanto, a realidade é complexa. Quando um estado não honra suas dívidas, a União realiza o pagamento desses compromissos, mas o valor é posteriormente descontado das transferências federais que são feitas aos entes em questão. Esse processo de recuperação de garantias implica a aplicação de juros e encargos adicionais, que também são arcados pela União. Em muitas situações, a execução das contragarantias pode ser bloqueada por decisões judiciais, uma prática que vem aumentando desde a adoção de regimes especiais de recuperação fiscal.
O contexto atual também destaca o Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag), que foi criado no ano passado. Este programa é essencial para auxiliar os estados a sanear suas dívidas por meio de um conjunto de condições que incluem, entre outras, a venda de bens à União e esclarecimentos sobre planos de cortes de gastos. As 22 unidades federativas que decidiram participar do programa buscam não apenas a regularização de suas pendências financeiras, mas também a liberação de recursos que podem ser utilizados em investimentos cruciais para áreas como educação, saúde e infraestrutura.
Por fim, o impacto das catástrofes naturais nas finanças estaduais não pode ser ignorado. No caso do Rio Grande do Sul, as enchentes de 2024 levaram à suspensão do pagamento da dívida com a União por um período de 36 meses, permitindo ao estado reorientar seus esforços financeiros para a recuperação das áreas afetadas. O estoque atual da dívida gaúcha com a União está estimado em cerca de R$ 100 bilhões, mostrando a complexidade e a urgência da situação, enquanto os esforços conjuntos dos diversos entes federativos buscam soluções que não apenas aliviem a carga financeira, mas também promovam o desenvolvimento e a reabilitação das regiões afetadas.
