ECONOMIA – Taxa Média de Juros Elevada: Cartão de Crédito Rotativo Chega a Impressionantes 435,9% ao Ano em Fevereiro; Consumidores Sentem o Impacto.

Em fevereiro, a taxa média de juros cobradas pelos bancos a famílias registrou um aumento significativo, refletindo principalmente a pressão exercida pelo cartão de crédito rotativo. Dados do Banco Central apontam que a taxa média nas concessões de crédito livre para pessoas físicas subiu 1 ponto percentual em relação ao mês anterior, alcançando 62% ao ano, o que representa uma elevação acumulada de 5,4 pontos percentuais nos últimos 12 meses.

Um dos destaques desse cenário foi o cartão de crédito rotativo, cujo juro superou a marca de 435,9% ao ano, com um aumento expressivo de 11,4 pontos percentuais no mês. Apesar de a partir de janeiro de 2024 ter havido uma limitação na cobrança dos juros do rotativo, as taxas continuam a se manter em níveis elevados, evidenciando a dificuldade de uma queda significativa. Essa modalidade de crédito permite que os consumidores paguem apenas uma parte da fatura do cartão, utilizando a quantia restante como um empréstimo que gera juros sobre o valor não quitado.

No caso do crédito parcelado, os juros também subiram, com um crescimento de 5,3 pontos percentuais em fevereiro, atingindo 200,2% ao ano. Em contrapartida, para as empresas, o cenário foi um pouco diferente: as taxas médias nas novas contratações de crédito livre recuaram 0,1 ponto percentual no mês, mas aumentaram 1,1 ponto percentual em 12 meses, alcançando 24,9% ao ano.

As operações de capital de giro com prazo até 365 dias foram favorecidas, com uma diminuição na taxa média de juros, que caiu 3,1 pontos percentuais no mês, estabelecendo-se em 22,5% ao ano. Esse movimento foi impulsionado pela flexibilização nas concessões nesse segmento.

No âmbito do crédito direcionado, voltado a setores específicos como habitação e infraestrutura, a taxa para pessoas físicas em fevereiro foi de 10,8% ao ano, com leve queda em relação ao mês anterior. Para as empresas, no entanto, a taxa apresentou aumento de 0,2 ponto percentual, indo para 13,2% ao ano.

Em um panorama geral, a taxa média de juros das concessões de crédito, que contempla tanto recursos livres quanto direcionados, subiu 0,3 ponto percentual em fevereiro, totalizando 33% ao ano. Essa elevação está em linha com o ciclo de alta da taxa básica de juros, a Selic, que se manteve em 14,75% ao ano. Nas últimas reuniões, a Selic foi mantida, mas há indícios de possível redução nas próximas deliberações, dependendo das condições econômicas.

Além disso, o spread bancário também teve um aumento, subindo 0,5 ponto percentual no mês, refletindo a margem entre o custo de captação de recursos pelos bancos e as taxas cobradas dos clientes. Essa margem é essencial para cobrir custos operacionais, riscos e garantir a lucratividade das instituições financeiras.

As concessões de crédito totalizaram R$ 602,3 bilhões em fevereiro, com um recuo de 0,5% nas operações com empresas e uma leve alta de 0,3% nas operações com famílias. O estoque total de empréstimos concedidos atingiu R$ 7,145 trilhões, refletindo uma ligeira expansão de 0,4% em relação ao mês anterior. Essa situação se torna ainda mais complexa à luz do aumento da inadimplência, que subiu para 4,3%, sendo este um indicador de preocupação no contexto econômico atual.

Esses dados ressaltam a necessidade das instituições financeiras em adequar suas práticas para atender a uma clientela cada vez mais endividada, além de criar mecanismos que possibilitem aos consumidores navegarem por um cenário de taxas crescentes.

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