ECONOMIA – Taxa de Juros Impacta Geração de Empregos Mais que Tarifaço de Trump, Afirma Ministro do Trabalho em Análise Crítica do Mercado de Trabalho de 2025.

Em uma recente coletiva de imprensa, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, avaliou os efeitos das mudanças na política monetária brasileira sobre a geração de empregos em 2025. Segundo Marinho, a alta da taxa básica de juros teve um impacto mais significativo no mercado de trabalho do que as tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos durante a gestão de Donald Trump. Essa análise surge no contexto da divulgação do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

De acordo com o ministro, embora as sobretaxas norte-americanas tenham afetado a economia brasileira, sua influência foi limitada a setores específicos, enquanto a elevação da Taxa Selic, atualmente fixada em 15% ao ano, teve um efeito mais abrangente, atingindo de forma direta os investimentos e as contratações. Marinho justificou que, embora o governo tenha adotado estratégias para mitigar os efeitos do tarifaço, como a abertura de novos mercados e o apoio a empresas impactadas, a pressão exercida pelos juros elevados é mais danosa para a indústria como um todo.

O ministro não hesitou em criticar a política monetária vigente, afirmando que o Banco Central, ao redor do mundo, buscou desacelerar o crescimento econômico. O resultado dessa estratégia se reflete em um “queima orçamentária” para a quitação de juros, o que, segundo ele, poderá comprometer a recuperação do mercado de trabalho. “Com taxas de juros elevadas, é natural que os investidores procrastinem suas decisões”, apontou Marinho, enfatizando a necessidade de uma avaliação crítica sobre a alta dos juros.

Embora tenha trazido à tona números preliminares de geração de empregos positivos para janeiro de 2026, Marinho também expressou preocupações de que a continuidade das taxas elevadas poderia afetar significativamente o desempenho no decorrer do ano. Para 2025, o Caged registrou a criação de 1,279 milhão de vagas formais, número que representa uma queda de 23,73% em relação ao ano anterior, o pior resultado desde 2020, período da pandemia.

Os dados revelam um saldo positivo que se resultou de 26,6 milhões de admissões e 25,3 milhões de desligamentos. Contudo, em dezembro, conhecido por seu fechamento de vagas devido a fatores sazonais, foram eliminadas 618 mil postos, um número considerado dentro do padrão histórico, decorrente do término de contratos temporários e ajustes financeiros pelas empresas. Dessa forma, o cenário de empregos é uma mescla de desafios impostos pela política econômica e a necessidade de medidas que estimulem a recuperação sustentada do mercado de trabalho.

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