Para esclarecer, o crédito rotativo é uma linha de crédito emergencial que o consumidor utiliza quando não consegue pagar a fatura completa do cartão de crédito. Ao optar pelo pagamento parcial, o consumidor contrai a dívida e começa a incidir juros sobre o valor pendente.
De acordo com a nova legislação em vigor desde janeiro deste ano, os juros do crédito rotativo foram limitados a 100% do valor da dívida. No entanto, essa medida é válida apenas para novos financiamentos e, portanto, não teve impacto nas estatísticas de junho, que ainda refletem as condições estabelecidas anteriormente.
Após 30 dias, normalmente, as instituições financeiras oferecem opções de parcelamento da dívida do cartão de crédito. Nesse caso, os juros do cartão de crédito parcelado caíram 5,4 pontos percentuais em um mês e 15,6 pontos percentuais em 12 meses, atingindo 180,5% ao ano.
Outro fator importante que influenciou o resultado do crédito livre para famílias em junho foi a redução de 6 pontos percentuais nas operações de crédito pessoal não consignado, que agora está em 87,8% ao ano. Em contrapartida, o cheque especial apresentou um aumento de 3,1 pontos percentuais, alcançando 135% ao ano.
Com esses ajustes, a taxa média de juros para crédito com recursos livres destinados a pessoas físicas fechou em 51,7% ao ano, uma queda de 0,7 ponto percentual no mês e de 7,4 pontos percentuais em 12 meses.
No que diz respeito às empresas, a taxa média de juros ficou em 20,9% ao ano, um aumento de 0,3 ponto percentual no mês, mas uma redução de 1,9 ponto percentual em 12 meses. O aumento mensal foi impulsionado pelas altas nas taxas de cheque especial, capital de giro com prazo superior a 365 dias e cartão de crédito parcelado. Em contrapartida, as taxas do cartão de crédito rotativo e desconto de duplicatas e recebíveis diminuíram.
Em termos gerais, a taxa média de juros para o crédito com recursos livres, englobando tanto pessoas físicas quanto jurídicas, atingiu 39,6% ao ano em junho, uma redução de 0,3 ponto percentual no mês e de 4,6 pontos percentuais em 12 meses.
É relevante destacar que, no crédito livre, os bancos têm a liberdade de definir as taxas de juros cobradas dos clientes, ao contrário do crédito direcionado, cujas regras são estabelecidas pelo governo e são voltadas para setores específicos como habitação, agricultura e infraestrutura.
Para o crédito direcionado, a taxa média para pessoas físicas ficou em 10,1% ao ano em junho, um leve aumento de 0,2 ponto percentual no mês e uma queda de 1,6 ponto percentual em 12 meses. Para as empresas, essa taxa subiu 0,6 ponto percentual no mês e 0,5 ponto percentual em 12 meses, totalizando 12,4% ao ano. A taxa média do crédito direcionado no conjunto ficou em 10,6% ao ano.
Observando as concessões de crédito como um todo, a taxa média de juros seguiu uma tendência de desaceleração, atingindo 27,86% ao ano em junho. Este valor representa uma redução de 0,42 ponto percentual no mês e de 3,8 pontos percentuais em 12 meses. O pico das taxas de juros foi registrado em maio do ano passado, quando chegou a 32,2% ao ano.
O comportamento das taxas de juros bancários se dá num contexto de ajuste na taxa Selic, que é a taxa básica de juros da economia. O Banco Central, com o objetivo de controlar a inflação, havia iniciado uma série de cortes na Selic, culminando em sete reduções consecutivas. Contudo, na última reunião, devido à alta do dólar e às incertezas econômicas, o Comitê de Política Monetária decidiu interromper os cortes, mantendo a taxa básica em 10,5% ao ano.
Durante a pandemia de Covid-19, de março de 2021 a agosto de 2022, a Selic foi elevada por 12 vezes consecutivas, em resposta ao aumento dos preços de alimentos, energia e combustíveis. A taxa chegou a 13,75% ao ano, sendo mantida por um ano até a redução recente com o controle dos preços.
Em termos de volume, as operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional atingiram R$ 585,9 bilhões em junho, um crescimento de 2,4% no mês e de 9,3% em 12 meses. O estoque total de empréstimos chegou a R$ 6,018 trilhões, um aumento de 1,2% em relação a maio e de 9,9% em 12 meses, impulsionado pelo crédito às empresas e às famílias.
O saldo do crédito ampliado ao setor não financeiro, que inclui empresas, famílias e governos, chegou a R$ 17,410 trilhões, com alta de 2,2% no mês, destacando aumentos significativos em empréstimos externos, títulos públicos de dívida e empréstimos do Sistema Financeiro Nacional. Na comparação anual, o crédito ampliado cresceu 13,6%, refletindo um ambiente econômico em recuperação e expansão.
