Este crescimento ocorre em um momento crucial, às vésperas da implementação da DeCripto, uma nova plataforma de declaração de criptoativos que será obrigatória a partir de julho. A DeCripto foi instituída pela instrução normativa nº 2.291, em vigor desde novembro de 2025, e alinha o Brasil aos padrões internacionais de transparência, conforme estabelecido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A adoção desse modelo visa aumentar o controle sobre transações envolvendo ativos digitais, numa tentativa de fortalecer o combate à evasão fiscal, à lavagem de dinheiro e ao financiamento de atividades ilícitas.
A razão pela qual as stablecoins tornaram-se tão populares pode ser atribuída à sua natureza, que as torna atrativas para a movimentação de recursos e transferências internacionais, ao mesmo tempo em que oferecem uma proteção contra a volatilidade que caracteriza muitas outras criptomoedas. Historicamente, de agosto de 2019 a dezembro de 2025, foram contabilizados cerca de R$ 1,58 trilhão em operações de criptoativos no Brasil, com as stablecoins representando cerca de R$ 1,13 trilhão desse total, ou seja, 71,7%.
O crescimento das stablecoins foi notável. Em 2019, elas eram apenas 3,5% do volume total de negócios, mas essa porcentagem saltou para 79,7% em 2022 e atingiu um recorde de 94,3% em julho de 2023. Em 2024 e 2025, embora outros criptoativos tenham valorizado, a participação das stablecoins oscilou entre 76% e 80%. O valor financeiro dessas operações também teve um aumento substancial, atingindo R$ 39,7 bilhões em novembro de 2025, o maior volume mensal registrado.
Dentre as stablecoins em circulação, a USDT, emitida pela Tether e atrelada ao dólar, foi a que mais movimentou recursos, representando 88,7% do total declarado no mesmo período, equivalente a aproximadamente R$ 1 trilhão. Outras moedas notáveis incluem a USDC e a BRZ, que também contribuíram para o crescimento deste setor.
Em termos de atividade transacional, o número de operações com stablecoins também apresenta um crescimento expressivo, com 185,7 milhões de transações registradas entre 2019 e 2025. Especialmente a partir de 2024, a quantidade de negociações disparou.
Com a nova legislação em vigor, empresas prestadoras de serviços de criptoativos, especialmente as sediadas no exterior, terão obrigações de informar sobre suas operações com clientes brasileiros. Essa iniciativa visa garantir que mesmo as plataformas internacionais que atuam no Brasil cumpram com as exigências de transparência, conforme a Lei nº 14.754/2023.
O novo panorama trazido pela DeCripto ressalta a necessidade de regulamentação no mercado de criptoativos e a urgência de um maior controle sobre as transações financeiras desse setor em ascensão.





