ECONOMIA – Serra Verde é adquirida pela USA Rare Earth em negócio de US$ 2,8 bilhões, criando gigante global em mineração de terras raras no Brasil.

A recente aquisição da Serra Verde, uma mineradora brasileira especializada em terras raras, pela americana USA Rare Earth (USAR), marca um marco significativo no setor de mineração global. O negócio, avaliado em aproximadamente US$ 2,8 bilhões, foi oficializado nesta segunda-feira, 20 de novembro, destacando a crescente importância estratégica das terras raras no cenário econômico mundial.

Localizada em Minaçu, Goiás, a Serra Verde opera a mina de Pela Ema, considerada a única produtora ativa de argilas iônicas no Brasil desde 2024. Além disso, é notável por ser a única fonte fora da Ásia das quatro terras raras pesadas mais valiosas e críticas: Disprósio (Dy), Térbio (Tb) e Ítrio (Y). Embora a China mantenha um domínio esmagador, realizando mais de 90% da extração global deste recurso, a operação brasileira promete diversificar a cadeia de suprimentos.

Os minerais extraídos pela Serra Verde são essenciais para a fabricação de tecnologia de ponta, incluindo ímãs permanentes utilizados em veículos elétricos, turbinas eólicas, robôs e aparelhos eletrônicos avançados, além de aplicações em setores como defesa, nuclear e aeroespacial. Com a venda, as expectativas para o futuro da Serra Verde são promissoras, vislumbrando um crescimento significativo na produção até 2030.

O memorando de entendimento inclui um contrato de fornecimento para os próximos 15 anos, estabelecendo um fluxo de produção garantido que permitirá à Serra Verde atender uma Empresa de Propósito Específico, formada por agências governamentais dos Estados Unidos e investidores privados. Esse acordo proporciona segurança financeira e reduz riscos, promovendo um ambiente propício para novos investimentos.

A união de forças entre a Serra Verde e a USAR não apenas criará uma das maiores empresas do setor, mas também solidificará uma cadeia de suprimentos robusta, que abrange desde a mineração até a fabricação de ímãs. Vale ressaltar que a dependência mundial da produção chinesa é um tema sensível, com o ex-presidente Donald Trump frequentemente expressando sua preocupação em discursos.

Ricardo Grossi, presidente da Serra Verde, ressaltou que a aquisição afirma a capacidade do Brasil em liderar e participar ativamente no desenvolvimento das cadeias globais de suprimentos de terras raras. A resposta do mercado à aquisição foi positiva, refletida na alta de mais de 8% nas ações da USAR na Nasdaq logo após o anúncio.

Além disso, a transação garantiu a permanência da equipe da Serra Verde, com a inclusão de dois de seus executivos na diretoria da USAR, reforçando a continuidade e expertise da operação brasileira no contexto global. Essa movimentação não apenas fortalece o mercado mineral, mas também abre portas para uma nova era de inovação e desenvolvimento sustentável no Brasil.

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