ECONOMIA – Senacon abre processos contra iFood e Keeta por falta de transparência nos preços de entrega, com multas que podem chegar a R$ 14 milhões.

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), parte do Ministério da Justiça e Segurança Pública, anunciou a abertura de processos administrativos para a aplicação de sanções contra as plataformas digitais iFood e Keeta. O motivo da medida é a falta de cumprimento das normas de transparência referentes à formação dos preços de entrega. Tal fiscalização teve início em 24 de abril, após um período de 30 dias concedido para que as empresas se adequassem às novas regras estipuladas pela Portaria nº 61, que exige clareza na comunicação dos valores cobrados.

O ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, e o secretário Nacional do Consumidor, Ricardo Morishita, trouxeram à tona a gravidade da situação em uma coletiva de imprensa. Segundo Boulos, as empresas não têm a opção de decidir se cumprem ou não a portaria, e a falta de transparência levanta questionamentos sobre o que poderia estar escondido. Ele enfatizou que é crucial para o consumidor saber como o pagamento é distribuído entre a plataforma, o entregador e o estabelecimento.

As sanções previstas incluem a possibilidade de multas que podem alcançar R$ 14 milhões, caso as empresas não se adequem dentro de um prazo estipulado. Enquanto o iFood foi notificado por não apresentar as informações necessárias durante a fase de averiguação preliminar, a Keeta foi avaliada por não fornecer dados claros sobre a destinação dos valores cobrados. A Senacon argumenta que a falta de transparência compromete a autonomia dos consumidores, dificultando a comparação de serviços.

A reação das empresas foi mista. O iFood alegou estar em processo de adaptação às normas e criticou a falta de diálogo prévio da Senacon com o setor, destacando que as mudanças necessárias demandam tempo e ajustes significativos. Por outro lado, a Keeta defendeu a transparência de suas práticas, argumentando que fornece informações suficientes aos consumidores. Mesmo assim, a Senacon reiterou que essas informações não estão adequadas ao que a legislação exige.

Nesse cenário, os próximos passos das plataformas serão cruciais para determinar se irão atender às exigências da lei e evitar sanções adicionais. A expectativa agora gira em torno da resposta que ambas as empresas apresentarão nos próximos 20 dias, fator que poderá influenciar a continuidade de suas operações de maneira conforme à legislação.

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