ECONOMIA – Receita Federal Mira R$ 200 Bilhões em Arrecadação com Nova Estratégia de Cobrança Amigável e Enfrentamento a Devedores Contumazes em 2026

A Receita Federal planeja arrecadar R$ 200 bilhões neste ano, implementando um modelo chamado de “cobrança amigável”. Essa abordagem, que mescla autorregularização de devedores ocasionalmente inadimplentes com uma postura mais rigorosa em relação aos devedores contumazes, teve resultados impressionantes em 2025, atingindo um recorde histórico na arrecadação.

Na última quinta-feira, o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, detalhou os números de arrecadação do ano anterior e destacou que essa estratégia representa uma transformação significativa na maneira como o órgão atua. Segundo ele, a Receita está se afastando de um modelo reativo e punitivo, com o foco em antecipar problemas e orientar os contribuintes, buscando evitar litígios desnecessários. “O ano de 2026 será um marco, pois estaremos mudando o paradigma de nossa atuação”, afirmou Barreirinhas.

A ênfase da nova estratégia é estabelecer um canal de diálogo aberto com os contribuintes, proporcionando orientação e tratamento diferenciado de acordo com o perfil de cada um. O foco se volta especialmente para aqueles que são considerados devedores contumazes, isto é, aqueles que repetidamente não cumprem suas obrigações tributárias. O objetivo dessa abordagem é, portanto, aumentar a arrecadação sem se valer de disputas judiciais prolongadas. “A cobrança amigável ocorre entre a primeira dívida e a fase do litígio, interrompendo esse ciclo”, explicou o secretário.

Essa estratégia já está formalizada na recente Lei Complementar 225, sancionada no início deste mês. O governo também havia anteriormente enviado um projeto ao Congresso para oferecer benefícios a bons contribuintes; no entanto, o Legislativo aprovou um projeto que estabelece normas mais rígidas para aqueles que costumam não pagar suas dívidas.

O modelo de cobrança amigável está fundamentado em cinco pilares principais: a orientação prévia para prevenir irregularidades, a isenção de multas para bons pagadores, a possibilidade de autorregularização para contribuintes ocasionalmente inadimplentes, penalidades mais brandas para contribuintes médios e uma atuação rigorosa contra devedores contumazes e crimes tributários.

Nos últimos anos, a arrecadação sob o modelo de cobrança amigável apresentou avanços significativos, saindo de R$ 130,5 bilhões em 2022 para uma expectativa de R$ 200 bilhões em 2026. Este aumento vem acompanhado de um foco em empresas que utilizam a inadimplência como uma estratégia de negócios, um grupo que a Receita identifica como responsável por dívidas que somam bilhões ao governo.

Atualmente, existem 35 empresas que se enquadram como devedores contumazes, acumulando débitos significativos. Barreirinhas enfatizou que a Receita intensificará a fiscalização sobre esses contribuintes, especialmente no setor de cigarros, que frequentemente apresenta práticas de sonegação. A mudança de postura da Receita busca não apenas recuperar recursos, mas também garantir que esses valores sejam canalizados para áreas essenciais como saúde, educação e previdência, áreas que têm sofrido com a falta de verbas.

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