Além da desaceleração nas estimativas de crescimento, outro dado importante é a previsão do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o índice oficial de inflação do Brasil. A nova projeção para o ano que vem elevou a expectativa de inflação de 3,5% para 3,6%. Esse ajuste preocupa, uma vez que o novo valor está acima do centro da meta contínua de 3% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Entretanto, vale ressaltar que o CMN permite uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, possibilitando que a inflação oscile entre 1,5% e 4,5% sem comprometer o cumprimento da meta. Para contextualizar, o IPCA acumulado nos últimos 12 meses chegou a 5,23% em julho, ultrapassando o teto definido.
Outros parâmetros econômicos também foram revista no novo orçamento. A proposta prevê que a Taxa Selic, os juros básicos da economia, encerre 2026 com média de 13,11% ao ano, superior à projeção de 12,56% contida na LDO. Quanto à cotação do dólar, a previsão foi ajustada de R$ 5,97 para R$ 5,76.
Além disso, o projeto orçamentário estima o preço médio do barril de petróleo em US$ 64,93, um dado importante para o cálculo das receitas da União oriundas de royalties. Por fim, há uma expectativa de crescimento de 10,51% na massa salarial nominal, o que poderá impactar diretamente o consumo e a arrecadação no país. As revisões apresentadas no projeto do Orçamento refletem os desafios econômicos que o Brasil enfrenta e delineiam o cenário para o próximo ano, cheio de incertezas e expectativas.