ECONOMIA –

Presidente do Banco Central do Brasil Assina Manifesto em Defesa da Independência Monetária em Meio a Pressões Políticas dos EUA

Na última terça-feira, 13 de junho, Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central do Brasil, oficializou sua adesão a um manifesto internacional que defende a autonomia das autoridades monetárias, expressando apoio ao presidente do Federal Reserve (FED) dos Estados Unidos, Jerome Powell. Esta declaração ocorre em um cenário de crescente tensão política, especialmente em relação aos pedidos do ex-presidente Donald Trump por uma redução mais acelerada das taxas de juros norte-americanas.

O Banco Central destacou que o manifesto conjunto reafirma a importância da liberdade técnica das instituições econômicas, considerado um pilar essencial para a estabilidade econômica global. Tal posicionamento é especialmente relevante em tempos de instabilidade política, que frequentemente influenciam decisões sobre a política monetária, tanto no Brasil quanto em outros países.

Os presidentes dos bancos centrais que assinaram o documento enfatizam que a independência institucional é crucial para garantir a estabilidade de preços e, consequentemente, o bem-estar da população. O texto também reafirma a necessidade de respeito ao Estado de Direito, promovendo a transparência e a responsabilidade democrática nas decisões financeiras. “Estamos solidários com o sistema do Federal Reserve e seu presidente”, afirmam os signatários, elogiando a atuação de Powell, que tem se mostrado comprometido com a integridade e o interesse público.

Com essa adesão, Galípolo alinha o Brasil a instituições de destaque mundial, como o Banco Central Europeu e o Banco da Inglaterra. Além disso, o manifesto foi assinado por autoridades monetárias de outros países, incluindo Canadá, Suécia, Dinamarca e Austrália, refletindo uma ampla frente internacional pela defesa da autonomia monetária.

Vale ressaltar que a posição de Powell como presidente do FED está sob análise, especialmente após a divulgação de investigações do Departamento de Justiça dos EUA que podem ser vistas como uma forma de pressão política. Powell, por sua vez, reafirmou seu compromisso com o Estado de Direito, apesar das críticas recebidas por parte do ex-presidente Trump, que tem solicitado cortes mais severos nas taxas, mesmo com a inflação nos EUA permanecendo acima da meta.

Esse contexto se torna ainda mais relevante para o Banco Central brasileiro, que recentemente enfrentou desafios com a liquidação do Banco Master e questionamentos no Tribunal de Contas da União sobre sua autonomia. Na segunda-feira anterior à assinatura do manifesto, Galípolo se reuniu com o presidente do TCU, Vital do Rêgo, para discutir esses assuntos. Representantes do mercado acreditam que essa defesa pública da independência das instituições financeiras tem o objetivo de fortalecer a confiança na condução técnica da política monetária em um cenário global marcado por inseguranças e volatilidades.

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