Embora a redução nos preços da cesta de Páscoa seja positiva, é importante notar que certos produtos experimentaram aumentos superiores à inflação geral. Enquanto o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-10) apresentou um crescimento de 3,18% de abril de 2025 a março de 2026, itens como bombons e chocolates viram seus preços subir 16,71%, e o bacalhau também teve uma alta de 9,9%. O aumento nos preços do atum e da sardinha em conserva também chama a atenção.
Por outro lado, alguns ingredientes contribuem para a diminuição dos preços na mesa de Páscoa. O arroz, ovos de galinha e azeite, por exemplo, apresentaram quedas expressivas, com respectivas diminuições de 26,11%, 14,56% e 23,20%. Contudo, vale ressaltar que pescados frescos e vinhos tiveram seus preços ligeiramente elevados, com aumentos de 1,74% e 0,73%, respectivamente.
Nos últimos quatro anos, as variações nos preços da Páscoa exibem um padrão de inflação mista: enquanto em dois anos houve deflação, em outros dois a inflação foi positiva. A alta acumulada nos preços dos produtos da Páscoa durante esse período foi de 15,37%, ligeiramente inferior à inflação geral de 16,53%. Essa oscilação nos preços reflete a dinâmica do mercado, em que produtos industrializados, como chocolates, apresentam maior resistência às quedas de preços das matérias-primas, em função de uma defasagem nas reações ao mercado.
Especialistas alertam para a concentração de mercado, já que cinco grandes marcas dominam 83% do mercado de chocolates e bombons, o que difere a capacidade de competição e, portanto, influencia os preços finalizados ao consumidor. E mesmo com a recente diminuição no preço do cacau, que caiu consideravelmente nos últimos meses, a indústria de chocolates não conseguiu repassar essa redução diretamente para os preços ao consumidor.
Por outro lado, a indústria de chocolate prevê uma perspectiva positiva para esta Páscoa, impulsionada pela estabilidade econômica e pela redução histórica das taxas de desemprego. A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates (Abicab) estima a criação de 14,6 mil empregos temporários, um crescimento de 50% em relação ao ano anterior. O otimismo se reflete no fato de que uma pesquisa apontou que 90% dos consumidores pretendem adquirir produtos relacionados à Páscoa.
A tímida, mas significativa redução nos preços na mesa de Páscoa pode ser um ponto de apoio para as famílias, enquanto o setor agrega expectativas positivas para este período festivo.





