ECONOMIA – Polícia Federal e CGU conduzem operação sobre irregularidades em R$ 97 milhões do Iprev, com mandados de busca em Alagoas e São Paulo

Na manhã desta segunda-feira, 10 de outubro, a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram uma operação para investigar supostas irregularidades na aplicação de R$ 97 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) em transações financeiras realizadas pelo extinto Banco Master. Essa ação se insere em um contexto de apuração sobre a gestão de investimentos do Iprev, que, segundo as investigações, podem ter sido marcadas por falhas na governança e na análise de riscos associados.

O Banco Master, que pertencia ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025, após o Banco Central constatar uma grave crise de liquidez e a violação de normas do Sistema Financeiro Nacional. As investigações atuais estão focadas em esclarecer a série de decisões que levaram ao investimento de mais de R$ 97 milhões em letras financeiras do Banco Master, além de um aporte adicional de R$ 17 mil realizado em maio de 2024.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a execução de oito mandados de busca e apreensão em diversas localidades, incluindo cidades de Alagoas e São Paulo. Os alvos da operação incluem figuras chave, como João Felipe Alves Borges, atual secretário de Fazenda de Maceió, que na época dos depósitos fazia parte do Conselho de Administração do Iprev; Ronnie Reyner Teixeira Mota, ex-diretor-presidente da instituição; e outros membros envolvidos na gestão dos investimentos, como Gustavo Antônio Rodrigues de Souza e Renan Foglia Calamia.

Além da apreensão de equipamentos eletrônicos e documentos relevantes, o ministro decretou a indisponibilidade dos bens dos investigados até o limite do montante aplicado, totalizando R$ 97 milhões. A PF alega que a empresa de consultoria Crédito & Mercado, contratada pelo Iprev, pode ter contribuído para a “terceirização indevida da competência administrativa”, o que agrava as suspeitas de má gestão.

O despacho de Mendonça destaca que as Autorizações de Aplicação e Resgate (APRs) teriam sido preenchidas com justificativas insuficientes, sem uma análise adequada de alternativas e riscos. O Iprev, em resposta à situação, afirmou que todos os procedimentos seguidos observaram os ritos legais e administrativos, enfatizando que seu patrimônio cresceu significativamente, o que garante a solvência para o pagamento de aposentados e pensionistas.

A investigação continua, e até o momento, não foi possível estabelecer contato com os citados para obter suas versões sobre os fatos. O espaço permanece aberto para as manifestações dos interessados, enquanto o desenrolar desse caso levanta preocupações sobre a gestão de recursos públicos e a responsabilidade na administração de fundos previdenciários.

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