A situação foi ainda mais complicada quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou criticamente após o leilão, chamando-o de “cretinice” e afirmando que a operação infringiu orientações do governo e da própria empresa. Segundo Lula, a venda foi realizada contra a vontade da administração da Petrobras, uma alegação que gerou tensões entre a estatal e a administração federal. Na mesma data em que o presidente fez suas declarações, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) iniciou uma fiscalização nas refinarias da Petrobras para investigar possíveis irregularidades nos preços do GLP.
Esse episódio ocorre em um cenário de alta nos preços internacionais do petróleo, exacerbada por conflitos geopolíticos que impactam a cadeia produtiva global. Para conter a pressão inflacionária sobre os combustíveis, o governo brasileiro tem trabalhado em medidas que visam a suavização dos impactos sobre a população, incluindo a proposição de isenções e subsídios para o gás de cozinha e o diesel.
Schlosser, que é engenheiro químico e advogado, tinha ingressado na Petrobras em 1987 e ocupava a diretoria desde março de 2023. Ele será substituído por Angélica Laureano, que até então era responsável pela diretoria de Transição Energética e Sustentabilidade. A movimentação na estrutura de liderança da Petrobras não se restringe à saída de Schlosser; também foi anunciada a eleição de Marcelo Weick Pogliese como presidente do Conselho de Administração da companhia.
Pogliese assume a presidência após a renúncia de Bruno Moretti, que deixou o cargo para assumir uma função no Ministério do Planejamento e Orçamento. A governança da Petrobras é fundamental, considerando que a estatal é controlada pelo governo federal, que indica os principais postos de liderança. O governo ainda indicou Guilherme Santos Mello, atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, para compor o conselho da empresa, continuando o enfoque dos novos gestores na reestruturação e nas diretrizes estratégicas da Petrobras.
O novo diretor, Mello, traz consigo uma sólida formação acadêmica e experiência em administração de empresas públicas, o que pode contribuir para a trajetória de mudanças que a Petrobras enfrenta em um ambiente econômico cada vez mais desafiador.





