Desde o início dos conflitos, especificamente após os ataques entre Estados Unidos e Israel ao Irã, que começaram em fevereiro, a Petrobras tem se mobilizado para aumentar sua produção. O estreito de Ormuz, uma rota essencial para a passagem de cerca de 20% do petróleo e gás natural mundial, enfrentou bloqueios, resultando em uma queda na oferta global de petróleo e uma consequente escalada nos preços. Recentemente, o preço do barril de Brent subiu de 70 para mais de 100 dólares, alcançando picos de até 120 dólares.
Embora o Brasil seja um país produtor de petróleo, a natureza da commodity faz com que as oscilações nos preços internacionais afetem o mercado interno. Para mitigar essas flutuações e proteger os consumidores brasileiros, o governo federal implementou medidas como a isenção dos tributos PIS/Cofins e Cide sobre combustíveis. Tais ações visam atenuar o impacto da alta nos preços dos combustíveis.
Até agora, a estatal reajustou o preço do óleo diesel e do querosene de aviação, mas a gasolina se manteve estável. Na coletiva, Chambriard mencionou que, embora os preços estejam sendo monitorados, o preço da gasolina também deve considerar a concorrência com o etanol, que recentemente apresentava uma queda nos valores.
A empresa reportou um desempenho notável com um aumento de 16,1% na produção de óleo e gás no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Além disso, o fator de utilização das refinarias superou 100%, o que indica uma produção robusta.
Do ponto de vista financeiro, a Petrobras apresentou lucro de R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026, um aumento expressivo em relação ao trimestre anterior, embora tenha havido uma leve queda em comparação ao mesmo período do ano passado. A companhia também reportou investimentos de R$ 26,8 bilhões, um crescimento de 25,6% em relação ao primeiro trimestre de 2025.
Em meio a um cenário de incertezas, a diretora de logística da Petrobras sublinhou que qualquer decisão sobre o aumento dos preços da gasolina não está diretamente ligada a um projeto de lei que tramita no Senado, sugerindo que a empresa está preparada para agir conforme suas avaliações internas.
Assim, a Petrobras se posiciona como um ator chave no complexo cenário energético, demonstrando prudência nas decisões relacionadas ao preço dos combustíveis enquanto busca atender tanto à demanda interna quanto aos desafios impostos pelo mercado global.





