Com o aumento atual, que se junta a um reajuste anterior de 9,4% realizado em março, o custo do combustível passa a compor cerca de 45% das despesas operacionais das empresas aéreas. Essa proporção revela o peso que os combustíveis exercem sobre a contabilidade das companhias, especialmente em um cenário em que mais de 80% do QAV utilizado no Brasil é produzido internamente, mas tem preços alinhados à paridade internacional. Isso significa que qualquer flutuação no preço do barril de petróleo no mercado global se reflete imediatamente nas operações brasileiras, intensificando os efeitos das variáveis externas sobre os custos.
Diante desse cenário, a Abear não apenas expressa suas preocupações quanto aos desafios de expansão do setor, mas também indica que a situação pode levar a uma redução na quantidade de serviços oferecidos, o que pode afetar negativamente a concorrência e aumentar os preços para os consumidores. O reajuste ocorre em um momento delicado, coincidindo com a escalada dos preços do petróleo devido a instabilidades geopolíticas, como os conflitos no Irã.
Em uma tentativa de mitigar os impactos desse aumento drástico, a Petrobras anunciou que permitirá às distribuidoras de aviação parcelar o reajuste, especificamente permitindo que se pague apenas 18% do aumento imediato, podendo parcelar o restante ao longo de seis meses, a partir de julho. Isso oferece um alívio temporário, mas não resolve o problema estruturante dos custos elevados que as companhias aéreas enfrentarão nos próximos meses.
Atualmente, aproximadamente 30% dos custos totais das empresas são atribuídos aos combustíveis, uma porcentagem que pode aumentar com esse recente ajuste. As empresas aéreas, que já enfrentam uma margem de lucro apertada devido a preços fluctuantes e à demanda do mercado, agora se veem em uma posição delicada, onde decisões essenciais sobre rotas e serviços se tornam cada vez mais complexas e desafiadoras.
