ECONOMIA – Petrobras Adota Nova Fórmula de Preço do Gás Natural para Evitar Aumentos Bruscos e Previsão de Reajuste Atinge Apenas 6% em Agosto

A Petrobras anunciou uma mudança significativa em sua metodologia de cálculo para determinar o preço do gás natural vendido às distribuidoras. O novo mecanismo, que visa mitigar oscilações bruscas nos preços internacionais, poderá resultar em um reajuste de cerca de 6% em agosto, em comparação com o esperado 22%. A estatal destaca, no entanto, que essa expectativa de 6% é uma mera estimativa, podendo estar sujeita a variações.

Essas mudanças foram deliberadas em uma reunião na quarta-feira, dia 24, e a divulgação oficial foi feita apenas seis dias depois. O preço do gás natural geralmente é ajustado a cada três meses pelo sistema da Petrobras, sendo que o último ajuste, realizado em 1º de maio, foi de 19,2%.

De acordo com a companhia, a nova fórmula introduz um mecanismo que atenua a volatilidade dos preços, estabelecendo bandas de preço — um limite mínimo e máximo — com base no valor do barril Brent, considerado a referência internacional para o petróleo. Apesar de o Brasil ser um produtor de petróleo, a natureza das commodities faz com que os preços sejam determinados principalmente pelo mercado global. Com essa nova estratégia de preços, a Petrobras espera conseguir reduzir os aumentos bruscos, trazendo mais previsibilidade ao setor.

É importante mencionar que a adesão das distribuidoras a esse novo sistema de precificação é opcional, podendo ser formalizada através de um aditivo aos contratos de fornecimento. A empresa reforça que essa mudança reflete sua capacidade de atender às necessidades dos clientes, além de reafirmar seu compromisso com a competitividade no mercado de gás natural.

Além disso, a Petrobras ressalta que o custo final do gás natural para o consumidor está sujeito a outros fatores, como despesas com transporte, tributos e margem de lucro das distribuidoras. Para o Gás Natural Veicular (GNV), também existem margens definidas pelos postos de combustíveis. Vale destacar que essa nova política de precificação não se aplica ao gás liquefeito de petróleo (GLP), comumente conhecido como gás de botijão.

As flutuações nos preços do gás natural em nível global vêm sendo impulsionadas por fatores externos, como o recente conflito no Oriente Médio, que afetou severamente a cadeia de produção e distribuição de petróleo. As tensões na região têm gerado bloqueios significativos, como ocorreu no Estreito de Ormuz, onde transitava uma parte considerável da produção global de óleo e gás. A redução da oferta tende a aumentar os preços, um fenômeno que tem impactado fortemente o Brasil.

Em resposta a essa difícil situação, o governo brasileiro tem buscado implementar medidas temporárias, como a isenção de tributos e subsídios para produtores e importadores, com o intuito de aliviar o custo para o consumidor final, garantindo que esses benefícios cheguem até a ponta da cadeia de consumo.

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